Para quem achava que a matéria detonava o grupo, o efeito foi o contrário.
Veja o que Eduardo Wolf escreveu, com exatidão:
Ficou muito ruim para a narrativa de alguns setores da "direita true" que dizia que o MBL estava fechado com a parte esquerdista do PSDB para implementar o comunismo.
Em relação à narrativa de que grupos como o MBL significavam a aplicação "da Estratégia das Tesouras e do Pacto de Princeton", que tal observarmos um trecho da matéria da Piauí?
“A ideia é deixar todo esse povo podre afundando com o psdb e trazer a galera mais Jovem e liberal pro mbl”, respondeu Kim Kataguiri em 22 de agosto a um participante temeroso de que o grupo se juntasse ao tucanato. Outro líder do movimento, Alexandre Santos, emendou: “Mas não estamos nos juntando ao PSDB. Muito menos ao Aecio, Beto Richa e Alckmin.” Ao serem questionados se o MBL teria “algum preconceito com pessoal mais velho”, referindo-se aos tucanos mais antigos, Kataguiri teclou: “Com os do PSDB temos preconceito, conceito e pós-conceito. São pilantras.” No dia seguinte, Renan reforçou, em um áudio enviado ao grupo: “Não bastava a gente tirar o PT do poder, estamos destruindo o PSDB ali, essa ala de esquerda tá desesperada, estamos pegando os melhores nomes deles e, ou eles vão sair, ou eles acabam fortalecendo e tomam partido e tiram essa esquerda aí. Mas a esquerda do PSDB tá desesperada, e não para de vir novas lideranças do PSDB pro time. Doideira. Bom dia, aí.”
Mais:
As críticas ao PSDB deixam os inimigos tradicionais do MBL como coadjuvantes no ringue. Não faltam, é claro, porretadas em Dilma, em Lula, no PT, no PSOL, em Marina Silva e na Rede. Mas outros possíveis adversários aparecem com mais destaque: Jair Bolsonaro (“tosco”, “ignorante”, “sem noção”, “inadmissível”) e Luciano Huck – que, caso saia candidato, poderia “diluir o voto da direita”, enfraquecendo Doria. “Ele é piada”, disse Renan Santos. Quinze minutos depois, completou: “Huck é lixo. Politicamente correto, desarmamentista, ambientalista de boutique, intervencionista.”
Claro que descer o sarrafo em Jair Bolsonaro não soa agradável, mas é uma conversa privada.
Mas de resto o MBL tem apenas do que se orgulhar do que está nessas conversas privadas.
Uma lição que fica da matéria da Piauí é a seguinte: ficar tentando descrever a intenção de grupos políticos através de "moldes" que não encaixam é furada. Uma hora o barco vai virar. Melhor é avaliar na prática a coerência das ações de cada grupo.
Tentar encaixar a estrutura dos movimentos políticos de direita (dos quais o MBL é um dos protagonistas) no molde da Estratégia das Tesouras que vigorou na União Soviética sempre foi o fim da picada.
Pior era utilizar o Pacto de Princeton para explicar tudo, mas quando exigimos evidências desse pacto o pessoal dizia que está numa edição do jornal Granma, de Cuba, e que ninguém tem cópia alguma.
Aí fica fácil alegar algo. Difícil é quando exigem provas...
No fundo, o MBL é tão de direita quanto são os Bolsonaro, mesmo com suas diferenças e prioridades. Esse papo de "direita pura" contra "direita falsa" sempre foi engodo.
Agora deveria ficar a lição para que alguns setores da direita larguem mão de buscar picuinhas com MBL e passem a focar em resultados gerais para a direita.
Esses áudios vazados fizeram muito bem à imagem do MBL.
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