No dia 17/5, o jornalista Lauro Jardim, do Globo,
divulgou que Temer havia sido gravado pelo dono da JBS - Joesley Batista - dando aval para a compra do silêncio de Eduardo Cunha.
Começava aí o que se definiu como mais uma era de "fim da república".
Praticamente todo mundo, mesmo os adversários do PT, saíram bradando: "Renuncia já". Eu aguardei o áudio, calmamente.
Um dia depois surgiu o áudio, em que Temer aparecia dizendo "tem que manter isso aí, viu", mas não ficava claro em relação ao que se tratava. Mesmo que tivesse cheiro de treta, não haviam ali indícios para prender o presidente.
A partir daí, não adiantou mais argumentar. Criou-se um dos fenômenos mais bizarros da história política mundial: a direita janotista.
Basicamente, um setor considerável da direita passou a endossar tudo o que Rodrigo Janot fazia. Tivemos formadores de opinião de direita chegando a validar uma liberação ilegal de áudios envolvendo o jornalista Reinaldo Azevedo.
Veio a notícia de que Joesley Batista havia assinado um acordo de total impunidade junto ao PGR Janot e o ministro Edson Fachin. Não se criou um clima de revolta suficiente contra isso. Mais inacreditável ainda: tivemos sites de "direita" que chegaram a comemorar uma votação do STF, meses depois, em que por 9x2 ficou decidido que os irmãos Joesley teriam direito ao acordo de total impunidade.
As contradições de Janot, Fachin e Joesley apareciam por todos os cantos. Quando este site denunciava essas contradições, a direita janotista dizia: "Você é inimigo da Lava Jato". Criou-se então a falácia ad lavajatum, usada principalmente para atacar qualquer um que discordasse de Janot e criticasse o acordo de impunidade.
Nesse meio tempo, a mídia janotista começou a divulgar, orgulhosamente: "He he he... o Janot vai quebrar a denúncia em três só para fazer o governo sangrar". Quer dizer: já se sabia de antemão em detalhes como seria a estratégia de fatiamento de denúncia, como tão pouca gente denunciou esse desvio de finalidade da PGR?
Mesmo assim, apresentou-se uma denúncia e já se avisava: depois vem mais. Clara evidência de seletivismo.
Em todo esse período, eu apontei essas e diversas outras contradições, que serão expostas em outros posts por aqui nos próximos dias.
Em nenhum momento eu confiei em qualquer declaração dada por Janot, Fachin e Joesley. Desde o início apontei que havia treta.
Eu simplesmente utilizava a fórmula:
- O PGR Janot foi nomeado por Dilma e está demonstrando claro uso partidário de seu cargo
- O ministro do STF Fachin foi nomeado por Dilma e não esconde seu selevitismo
- O megaempresário Joesley foi transformado num "campeão nacional" num governo petista
Será que eu poderia confiar nas ações desse trio? De jeito algum.
Se os conflitos de interesses estavam claros, bastaria avaliar se havia seletivismo, brechas e coisas do tipo.
Eu acredito que Temer deve ser investigado ao fim de seu mandato. Mas ser retirado do cargo a partir de uma aceleração de processo nunca vista antes só porque Janot, Fachin e Joesley decidiram? De jeito algum.
Sei que muita gente ficou indignada com meu ceticismo diante do trio Janot, Fachin e Joesley. Eu poderia ter feito posts falando "fora Temer" em busca de cliques fáceis. Mas eu precisava manter a coerência.
Capitular para um inimigo fundamental - como um PGR, um ministro do STF e um megaempresário, todos ligados à extrema esquerda mais perversa - é algo que não farei.
Também por adotar este princípio - de jamais capitular para as narrativas da extrema esquerda - é que estou de alma lavada diante de todas as revelações de que todo esse acordo de impunidade entre JBS, Janot e Fachin está mais sujo que pau de galinheiro.
Que venha agora o caos moral para aqueles que confiaram em Janot, Fachin e Joesley. Para quem o fez de forma oportunista, que venha o castigo. Para quem o fez de boa fé, que venha a lição.
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