Em relação à treta relacionada ao Santander, muito já foi dito.
Em Porto Alegre, uma exposição "Queer museu" trazia imagens relacionadas à zoofilia, pornografia e diversas outras instâncias de ofensa à boa parte da população usando o ambiente do Santander Cultural.
Por causa de protestos, ativados principalmente pelo MBL, o Santander decidiu suspender a exposição, que duraria ainda mais um mês e já vinha desde agosto.
O fato é que este foi o assunto principal da blogosfera e da mídia nesta segunda (11/9).
Tudo o que o MBL e demais ativistas de direita fizeram foi apontar que rejeitavam o conteúdo, o fato da exposição ser aberta às crianças (que inclusive eram convidadas via convites às escolas) e, para completar, ter sido financiada com dinheiro público a partir de leis de incentivo a "cultura".
Seja lá como for, o protesto é baseado no uso da livre expressão, bem como qualquer convocação a boicote.
Não para jornalistas como Vera Magalhães, que no programa 3 em 1 disse que o protesto do MBL era censura.
Mas quem já conhece os joguinhos censórios de Vera sabe que ela sempre irá chamar o oponente de "censor" enquanto estiver lutando para censurá-lo.
Por exemplo, quando Trump passou a criticar a imprensa, ela disse que isso era "ataque à liberdade de expressão". Mas proibir um presidente de rebater as mentiras e apontar o dedo na direção de mentirosos é o mais clamoroso ataque à liberdade de expressão que há. No dia em que a imprensa não puder mais ser criticada, já vivemos em um sistema nos moldes stalinistas e nazistas.
Ela simplesmente repete o molde. No momento em que o MBL e outros meios decidem protestar contra o uso de verba do estado para financiar uma exposição inadequada para crianças, exercendo sua livre expressão, ela chama isso de censura, quando é o exato oposto: ao proibir uma pessoa de se expressar em relação ao uso de verba pública ela está simplesmente censurando os outros.
Viver num mundo idealizado por Vera Magalhães deve ser uma coisa terrível. É o mundo da inversão entre sujeito e objetivo. Num mundo assim, qualquer um pode se sentir estimulado a assassinar os outros, pois se alguém o impedir... é um assassino. Um sujeito pode sair decidindo estuprar o que ver pela frente, pois se alguém impedi-lo é um estuprador.
Em suma, ela quer censurar os outros - proibindo-os até mesmo de questionar o uso de verba estatal de forma considerada indevida - e para tal acusa antecipadamente aqueles que civilizadamente exercem a livre expressão de censores.
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