Passeando minhas leseiras pelo centro do Rio, exatamente Cinelândia, dei de cara com um poste onde se anunciava o poder de prender alguém, para sempre ou temporariamente.
Proposta interessantíssima, até porque havia a garantia de que, não dando certo, a pessoa teria de volta o dinheiro aplicado.
Fiquei tentado, claro. Imaginei Machado, pelos idos do final do século 19, descobrindo proposta tão sedutora.
Que ilações deliciosas não faria o velho Bruxo. De pronto pensei na Gisele, a Bündchen, a modelo, ainda mais agora que a relação entre ela e o marido já acumula o primeiro filho.
Numa relação a dois, um terceiro complica o meio de campo.
Depois sonhei com Sharon Stone, caminhando para o outono, e justamente por isso plena de sabedoria, conhecedora dos segredos, e que segredos, invisíveis, da entrega amorosa.
Depois pensei, demorando-me ante o poste, que a paixão é boa para o objeto amado, embora nem tanto, vamos nos recordar.
Já para o apaixonado, é um inferno.
Dom Quixote se apaixona perdidamente por Dulcineia, e, pelo que se sabe, nunca sequer chegou a conhecê-la. Daí a paixão avassaladora.
O jovem Werther, de Goethe, também se toma de paixão arrebatada, idealizada, romântica, e vai, pelo seu exemplo, produzir suicídios em série, em toda a Europa, e até mesmo entre nós.
Hoje, cessadas as entregas derramadas da Cavalaria, dos suicídios do amor romântico, a paixão virou um transtorno, uma doença incurável, uma praga, um sufoco, um terror, como de resto sempre foi.
Olhei em torno, havia mais três pessoas lendo o texto sedutor do poste da Cinelândia. Dois homens, e uma moça simples, certamente do subúrbio carioca. Ela leu, e sorriu.
Indaguei se ela acreditava, fez um muxoxo, e respondeu; “Eu, hein, quero traste de homem nenhum me seguindo”.
Não disse mais nada, e foi embora. Eu também…
12/10/2015
foto Ilana Lansky
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