terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Aécio cai nas pesquisas por ser frouxo. Solução adotada por ele? Ser mais frouxo ainda.

 Ceticismo Político

Aécio cai nas pesquisas por ser frouxo. Solução adotada por ele? Ser mais frouxo ainda.

by lucianohenrique
___aecioneves
É fato que o discurso da direita true neocon - dizendo que "tucanos e petistas vivem um conchavo, sempre para ajudar os últimos - não tem fundamento. É mais baseada na exploração do agencialismo humano, com um tanto de retórica do "todos contra nós". Porém, isso pode até gerar views em websites e no conteúdo em geral, mas não tem se revertido em resultados políticos efetivos. É óbvio: o ser humano trabalha por motivação e recompensa. Mas se a recompensa fica muito distante - por causa do inimigo "poderoso demais, já que todos estão contra nós" - a motivação baixa. Talvez por isso movimentos como MBL e Revoltados Online levem gente às ruas, mas movimentos pedindo "lutas contra todos que estão aí" nada conseguiram em termos de resultados. Previsível.
Portanto, tudo o que falarei aqui nada tem a ver com a hipótese falida de "conchavos de todos em favor do PT, e, na verdade, do socialismo internacional".
Mas é fato que o senador Aécio Neves não consegue fazer uma oposição assertiva. Tem sempre apelado ao discurso frouxo. É chamado de "golpista" por todos os cantos e humilhado das mais diversas formas pelos petistas, que não param de atacá-lo. Em termos de ataque, ele ainda é o garotinho que dá até um raro cascudinho no bully da escola, mas só depois de ter tomado vários socos. E na maioria das lutas, só ele apanha. E todos riem dele. A vida dele é apanhar do PT, e quase nunca bater.
Agora, vejamos partes da matéria "Aécio muda estratégia de atuação política em relação ao governo", do Estadão:
BRASÍLIA - O presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG), decidiu rever sua estratégia de atuação política no Congresso e adotará este ano uma linha mais propositiva em relação a 2015, quando se empenhou durante praticamente o ano inteiro no afastamento da presidente Dilma Rousseff. O tucano apresentará ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), uma agenda mínima de votações de interesse do partido na Casa.
Ainda assim, Aécio avaliza a ação de oposicionistas da Câmara de tentar desgastar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva com cobranças por explicações e uma eventual convocação do petista para a CPI do Carf. E, por tabela, reacender o debate sobre a retirada de Dilma, conforme revelou o Estado nesta segunda-feira, 15. A avaliação de aliados do tucano é de que o enfraquecimento de Lula o favorece num possível confronto direto numa disputa presidencial antecipada ou em 2018.
É a mesma frouxidão mostrada nas eleições de 2014. Aécio foi acusado de bater na esposa e de usar cocaína e ainda caiu na conversa de que "ele estava sendo agressivo demais".
A mudança de atuação do tucano, o maior representante da oposição no Legislativo, decorre de uma série de avaliações feitas por aliados e assessores próximos. Desde o segundo semestre do ano passado, pesquisas mostraram uma queda das intenções de voto em Aécio em simulações de corrida presidencial e ainda um aumento de rejeição.
O aumento de rejeição acontece porque o PT o ataca. Só isso. E a diminuição de apoio acontece porque ele age como frouxo, e agora é facilmente visto como colaboracionista por muitos da direita. Convenhamos: quanto maior a frouxidão demonstrada por ele, mais fácil vai ser apontá-lo como colaboracionista. A única forma de Aécio Neves sair disso é começar a atacar, mas nota-se que ele escolheu a estratégia fracassada das eleições de 2014... de novo.
Levantamentos qualitativos internos identificaram Aécio como um senador que não propunha saídas para superar a crise. As sondagens também mostraram uma corrosão na imagem do PSDB pelo apoio às pautas-bomba. Uma delas foi o aval maciço da legenda à tentativa de derrubar, em setembro, o fator previdenciário, regra de aposentadoria instituída no governo Fernando Henrique, em 1999, para diminuir o déficit da Previdência Social.
É claro que esses "levantamentos qualitativos internos" não valem nada. Não é que "Aécio não propunha saídas para superar a crise". É que ele foi atacado com o rótulo de "golpista", de "mau perdedor" e de aquele que prefere o "quanto pior, melhor" em maior quantidade do que lançou ataques contra o PT. É a mesma história de sempre: Aécio foi considerado o "mais agressivo" nos debates por ter sido mais frouxo. É que o PT atacava muito mais e ao mesmo tempo colocou como um dos rótulos de ataque "agressivo contra as mulheres". Em suma: quando o tucano é visto como "agressivo" ou "pouco propositivo" não é que tenha sido nenhuma dessas coisas. É que ele ele foi atacado com o lançamento destes rótulos sobre ele em maior quantidade.
Na inauguração da nova fase, o presidente do PSDB vai propor nesta terça-feira, 16, a Renan, em reunião de líderes partidários, ao menos quatro propostas consideradas prioritárias pelo PSDB para a pauta do Senado: 1) o projeto do senador José Serra (PSDB-SP) que desobriga a Petrobrás de ser a operadora única na exploração da camada do pré-sal; 2) um que cria regras de governança em estatais, relatado pelo senador Tasso Jereissati (PSDB-CE); 3) um de autoria do senador Paulo Bauer (PSDB-SC), relatado pelo próprio Aécio, que visa a diminuir a influência política na gestão dos fundos de pensão; e 4) uma proposta do senador que restringe a quantidade de cargos em comissão na administração pública, estabelecendo processo seletivo.
Pois é... as pautas até que são boas. Mas é preciso ir para o ataque, e ao que parece o tom de Aécio tem sido aumentar a frouxidão.
Outros oposicionistas já percebem que a nova tática parece ser mesmo a malemolência:
A nova estratégia de atuação do PSDB na Câmara não foi bem recebida por outros partidos da oposição na Casa. Demonstrando incômodo, líderes oposicionistas criticaram ontem a sinalização que tucanos vêm dando ao governo de apoio a reformas estruturantes, como a da Previdência Social.
"O governo do PT não merece qualquer condescendência, porque eles imaginam a economia de uma forma completamente distinta do que são os fundamentos da economia", reagiu o líder do DEM, Pauderney Avelino (AM). "Não vamos concordar com qualquer proposta de arrocho à população por parte desse governo", emendou. O democrata conta que só soube da nova estratégia do PSDB por meio da imprensa. Irritado, ele decidiu procurar os líderes do PSDB, PPS e Solidariedade e propor uma reunião nesta terça-feira, para discutir o assunto. "Não quero fazer discurso de bom moço, porque o PT, o Lula e a Dilma não são bons moços", disse.
Presidente do Solidariedade, o deputado Paulo Peireira da Silva (SP) também criticou a estratégia do PSDB. "É um erro falar que vai apoiar reformas que tiram direito do trabalhador, principalmente a da Previdência", criticou Paulinho, que é presidente da Força Sindical. "Com essa postura, não tem como trabalharmos juntos", afirmou.
No PPS, o tom foi mais moderado. O vice-líder da sigla na Câmara, Arnaldo Jordy (PA), disse que o PPS respeita a soberania partidária do PSDB, mas cobrou que os tucanos esclareçam a estratégia. "Que reformas pretendem apoiar? Quais são as propostas estão dispostos a discutir?", questionou o deputado paraense.
Como já foi dito, é isto aí: está agindo como frouxo e todos já estão percebendo. Assim como ele fez nas eleições de 2014, afrouxando enquanto devia ir para o ataque, isto é uma escolha. Com isto, ele vai afundar.
lucianohenrique | 16 de fevereiro de 2016 às 12:43 pm | Tags: aécio nevesbolivarianismo,extrema-esquerdaguerra políticajogos políticosmarxismosocialismo | Categorias: Outros | URL:http://wp.me/pUgsw-bFH

Nenhum comentário:

Postar um comentário