domingo, 20 de setembro de 2015

CONSPIRAÇÃO DE TEMER CONTRA DILMA… ISSO NÃO EXISTE, AFIRMA JOSÉ SERRA! VOCÊ ACREDITA?

 CRISTALVOX

CONSPIRAÇÃO DE TEMER CONTRA DILMA… ISSO NÃO EXISTE, AFIRMA JOSÉ SERRA! VOCÊ ACREDITA?

by Leudo Costa
Amigos de longa data, José Serra é tido nos bastidores como o principal articulador político de um iminente GOVERNO TEMER. Em entrevista para o Jornal o Estado de São Paulo Serra “garantiu” que o Vice-Presidente não conspira contra Dilma. Mas que “O próximo presidente comerá o pão que o diabo amassou. “
Leia a entrevistacompleta de José Serra,  publicada pelo Estadão...
Neste ano, o senhor já se encontrou algumas vezes com o vice-presidente Michel Temer. O que conversou com ele?
Conheci o Michel no movimento estudantil. Ficamos próximos no governo Franco Montoro (1983-1987), quando fomos secretários do Estado. Em 2002, ele foi decisivo para que o PMDB me apoiasse para a Presidência. Na minha opinião, o Michel tem tido uma postura de equilíbrio em relação ao governo. Recentemente, tivemos poucas conversas. Não o vejo conspirando. Como há a possibilidade do impeachment, ele tornou-se uma figura central na política brasileira e, evidentemente, objeto de toda sorte de interpretações.
Temer seria um bom presidente da República neste momento de crise?
Ele tem muita experiência política e formação intelectual. O próximo presidente comerá o pão que o diabo amassou. Indigesto ou não, terá de fazer isso. É claro que é possível sairmos da crise. Quando houve o impeachment do Collor, o Itamar (Franco, vice-presidente) assumiu e conseguiu formar um governo de quase união nacional. Fatores inesperados são sempre essenciais. Vale lembrar o Machado de Assis no livro Esaú e Jacó: “O imprevisto é uma espécie de deus avulso, ao qual é preciso dar algumas ações de graças; pode ter voto decisivo na assembleia dos acontecimentos”.
Em caso de impeachment, o PSDB deve fazer parte de um governo Temer?
Certamente o PSDB apresentaria algumas condicionantes. Do ponto de vista político, para mim, uma das condições mais importantes seria a implantação do parlamentarismo, a partir de 2018.
Acredita que o PSDB faça essa exigência?
O PSDB sempre foi parlamentarista. Fernando Henrique, Mario Covas, Montoro, José Richa, eu mesmo e vários outros tentamos aprovar esse sistema de governo durante a Assembleia Constituinte. O PMDB, ao qual pertencíamos, se dividiu. Esse foi um dos motivos que nos levaram a fundar o PSDB, em 1988.
Mas como convencer a população de que a saída é o parlamentarismo?
O presidencialismo não é um sistema ágil para você promover a mudança de governo. Ao contrário. Num momento de crise como este, nós poderíamos fazer uma troca sem muita dificuldade. Recentemente, na Grécia, trocaram o primeiro-ministro quando ele perdeu o apoio de um terço do seu partido e foi preciso reconstruir uma maioria. A Austrália, que tem uma economia estável e uma democracia consolidada, mudou quatro vezes de primeiro-ministro nos últimos anos. Isso não trouxe maior instabilidade.
Mas como fazer a população confiar no Congresso?
No parlamentarismo, o Congresso fica mais responsável. O parlamentar vota de forma mais consciente. Se aqueles que apoiam o governo votarem contra projetos do primeiro-ministro ou apoiarem alguma loucura fiscal, ele cai e tem de ser formado novo governo, com outra maioria e outro programa de ação. Isso coloca em risco o poder do próprio parlamentar. As eleições para a Câmara podem até ser antecipadas. Por isso, quem pertence à maioria passa a ter mais compromisso.
Como convencer os demais partidos? O PT, por exemplo, é presidencialista.
Quando foi fundado, havia muitos parlamentaristas no PT. Isso mudou depois, principalmente durante a votação do plebiscito sobre sistema de governo em 1993, quando eles acharam que o Lula poderia chegar à Presidência. Mas o PT vai estar muito enfraquecido nos próximos anos.
Como o senhor avalia a crise?
Vivi duas grandes crises políticas. A do João Goulart, em1964, que foi deposto por um golpe militar, e a do Salvador Allende, em 1973, no Chile, onde eu morava, no exílio. A crise do governo Dilma é, sob certo ângulo, mais difícil. Porque ela é política, econômica e moral. Mesmo nas vésperas do golpe que o derrubou, o Jango tinha uma popularidade alta. O país estava dividido. Hoje 90% da população está contra a presidente.
O senhor acredita que ela não termina o mandato?
Não tenho bola de cristal nem estou fazendo torcida, mas está ficando cada vez mais difícil ela permanecer.
O rebaixamento da nota do País pela agência de risco Standard & Poor’s aumentou a temperatura para o impeachment?
Fragilizou ainda mais o governo, trouxe maior insegurança quanto ao seu futuro. Agora, o rebaixamento se deveu à inabilidade da presidente, que não devia ter enviado ao Congresso um Orçamento com um déficit primário.
O que o senhor achou do pacote da equipe econômica?
Independentemente do seu mérito e possível eficácia, o anúncio chegou muito atrasado. Isso é incompreensível. O governo devia ter feito quando apresentou seu programa de ajuste, no início de 2015.
Há algo de bom no pacote?
Com certa boa vontade, posso dizer que o maior controle para que o teto de remuneração do serviço público não seja fraudado é correto. É preciso criar um sistema que impeça que o teto seja ultrapassado. A renegociação dos contratos também é uma medida adequada, mas tardia.
E a CPMF? 
Independentemente do mérito, não há tempo para aprovar. A tramitação de uma proposta de emenda constitucional é muito lenta. A base do governo está cada vez mais desarticulada. O Congresso sempre resiste a votar aumento, renovação ou criação de impostos. Em 2007, quando o Lula detinha alta popularidade e os governadores, como eu e o Aécio (Neves), apoiávamos a prorrogação da CPMF – contanto que ela fosse mesmo destinada à Saúde – o Senado derrotou a proposta. Nas atuais condições, acho uma missão praticamente impossível.

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