quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Rotina de negação: Negar a alternativa violenta é “bom-mocismo”

 Ceticismo Político

Rotina de negação: Negar a alternativa violenta é “bom-mocismo”

by lucianohenrique
leao-gato-studio-prototipo-1
Uma parte dos recursos negacionistas - especialmente enquanto eles estão defendendo alternativas extremas e violentas, como intervenção militar – é chamar seus divergentes táticos de “bons moços”. (Um divergente tático é aquele que não necessariamente possui doutrina diferente ou se posiciona em pólo oposto, mas diverge do outro quanto às táticas a serem utilizadas para obtenção de poder)
O truque é simples e é baseado em um ditado popular: “os bons rapazes terminam por último”. Daí é só convencer que seu oponente é um “bom rapaz” e que, portanto, vai terminar por último. O gancho se conclui com “então fique com minha opção, que está longe do bom-mocismo”. Tudo jogo de cena.
Pode parecer coisa de criança, mas muita gente ainda cai neste truque, só que ele é mais falso que menstruação de travesti.
Para início de conversa, optar pelas vias democráticas não significa “bom-mocismo”, mas uma alternativa mais inteligente, racional e moral, sob todos os aspectos. Alguém pode lutar unicamente pelas vias democráticas e fazer seu adversário político urinar de tanto tomar rotulagens. Assim, a acusação de “bom mocismo” tende a ser falsa quando se menciona alguém defendendo alternativas democráticas.
A alternativa ao “bom mocismo” seria o comportamento do “fortão”. Segundo essa gente, pedir intervenção militar seria agir como “o fortão” em contraposição ao “bom-mocismo” dos adeptos da democracia. Isso vale para também para pedidos por “revolução civil” ou qualquer outra alternativa mais extrema que a busca por obter vitórias em eleições ou eleger seus candidatos.
Mas novamente isto é um truque psicológico até infantil, pois uma pessoa não se define como “o fortão” só por pedir uma revolução violenta. O “fortão” – se é que poderíamos estabelecer as coisas nestes termos – é definido pelos resultados conquistados, não pela violência requisitada. A própria violência solicitada pode ser uma forma de transferência de responsabilidade ou até mesmo da manifestação do processo vicário (algo similar a "fazer as vezes do outro", não muito diferente de matar pessoas em um videogame e se achar "o violento"). Sair pedindo para que outras pessoas saiam à ruas e morram por ela não é coisa de “fortão”. Pode ser também um ato de covardia.
Na verdade, não existe isso de “bom moço” e “fortão” na guerra política quando avaliamos a questão basicamente pelas demandas requisitadas. O melhor é observar a atitude demonstrada. Se formos encontrar os “fortões” no debate político, não os encontraremos se pinçarmos quem pede “intervenção militar”, mas se elencarmos quem entra em um confronto político e o compreende como uma guerra de nervos, ao fim da qual o nível de rotulagem, shaming e outros recursos decidirá os resultados. E nisto, muitos adeptos da intervenção militar dizem que rugem mas no fundo só miam. E bem fraquinho.
Aliás, se for para brincar desse joguinho, um cínico poderia responder: "Ah, você se acha o fortão por pedir a intervenção militar? Pois eu peço a intervenção do Godzilla...".
Ou então satirizar, dizendo: "Hmm... franga, quer dizer que tu é o 'fortão' só por pedir intervenção militar? Sei, sei...". (E, como já disse, você pode trocar "intervenção militar" por "revolução civil" ou qualquer outra solução apontada como "algo diferente do bom-mocismo").
Melhor do que tratar as pessoas como “bons moços contra fortões” é contrapor aqueles que conquistam e não conquistam resultados na guerra política. E os que ficam na última posição não são “fortões” ou “bons moços”. São “losers” na guerra política. De nada adianta chamar os outros de “bons moços”, falsamente, e viver como “loser” no confronto mais importante.
O melhor, no fim, é avaliar as pessoas por resultados, e não pelo gogó. E já saímos do jardim da infância para cair nessas trucagens.
lucianohenrique | 10 de fevereiro de 2016 às 11:17 pm | Tags: guerra políticaintervenção militar,negacionismopetralhaspolíticaPTrevolução civilsocialismo | Categorias: Outros | URL:http://wp.me/pUgsw-bus

Nenhum comentário:

Postar um comentário