Paris reuniu ontem, em suas ruas, 1,5 milhão de pessoas, a França inteira quase 5 milhões, e houve a presença de 60 chefes de estado. Demonstração de repúdio à insanidade do terrorismo, – Al Qaeda, Taliban, Brigada de Mártires, e tantos outros – que se diz islâmico. Excelente.
No núcleo dessa manifestação, não esqueçamos a presença de grupos xenófobos, do lado de cá, e que constituem ideologias, partidos, organizações poderosas.
Repudiam povos, etnias, considerados inferiores – africanos, árabes, palestinos, latinos, refugiados, ciganos, índios – espalhados por toda a Europa. Estão exultantes e assanhados, certamente.
Essa barbárie vai instrumentalizar mais ainda suas bandeiras racistas.
A direita, sim, a Europa sempre exibiu uma direita robusta, e a França conta com uma poderosa, historicamente, até hoje.
A invasão da Alemanha nazista em seu território encontrou simpatizantes, e não foram poucos. Hoje a direita francesa avança com passadas largas, e o episódio desses marginais fundamentalistas vai, certamente, alavancar mais sua corrida em direção ao poder.
Tudo isso está sendo dito para lembrar pequenos e insignificantes detalhes. A guerra civil na Síria já produziu, até hoje, mais de 200 mil mortes, em sua maioria civis indefesos e não menos crianças.
A guerra civil no Iraque, que prossegue, há mais de uma década, já produziu mais de 115 mil mortes, na mesma escala da guerra na Síria. No Afeganistão, cujos últimos soldados americanos foram retirados recentemente, a guerra não parou, eliminando mais de 15 mil pessoas, e ninguém sabe quando isso vai acontecer.
Tudo bem, é gente que a gente não conhece, muito diferente da gente, meio bárbaros, poucos civilizados. Esse é o discurso da direita democrática. E esse discurso está presente entre nossos amigos!…
Todas essas guerras, nunca esquecer, têm as mãos sujas de sangue do Ocidente. Todas. Quer sejam os EUA, quer sejam os países europeus, já antes da 1ª Grande Guerra se envolveram de forma desastrada, para não dizer criminosa, em todos esses palcos de guerra.
A Guerra da Crimeia, por exemplo, que vai de 1853/56. Envolveu de um lado o Império Russo, e do outro uma coligação contando com Reino Unido, França, e mais os Impérios Otomano e Austríaco. Já eram as partilhas de povos, de territórios, de riquezas. Para citar apenas esse exemplo mais recente.
Legal a unidade demonstrada ontem contra esses psicopatas fundamentalistas, que se dizem islâmicos, mas não esqueçamos que a xenofobia, os grupos fundamentalistas do racismo europeu e americano, a velha direita, para resgatar um velho clichê, estão ouriçados, exultantes.
A partir de agora terão mais munição para demonizar os palestinos, jogar para as calendas a criação do estado palestino, punir os latinos que entram clandestinamente em seus territórios, blindar seus países contras essas famílias fugindo das guerras, oh, raças, e assim por diante.
Guerras e partilhas de nações produzidas pelos interesses econômicos europeus e americanos, ou urdidas por mentes alopradas como os George Bush e Tony Blair das democracias ocidentais.
É preciso autocrítica, e acima de tudo rever conceitos. Mas aí já é pedir demais!…
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