O comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, fez um desagravo em homenagem ao General Leônidas Pires Gonçalves durante seu velório no Palácio Duque de Caxias, sede do Comando Militar do Leste, no Rio de Janeiro.
Vilas Boas foi duro para com a comissão da verdade ao dizer: "Os soldados do seu exército não consentirão que a retidão do seu caráter e a transcendência de sua alma sejam maculadas por versões históricas capciosas e tentativas de impor verdades de ocasião", disse o general.
O chefe do Estado Maior Conjunto das Forças Armadas, José Carlos de Nardi, disse que o general "manteve a dignidade" das Forças Armadas e, por isso, é considerado um dos generais mais importantes do Exército.
Perguntado sobre sua citação pela Comissão Nacional da Verdade, Nardi preferiu não comentar. "Vamos falar outro dia? Hoje é um dia de grande tristeza", disse Nardi, que representou o ministro da Defesa, Jaques Wagner, no velório do general.
Após o velório, o Exército começou por volta das 11h um cortejo fúnebre pela Avenida Marechal Floriano, no Centro, até o Cemitério do Caju. O corpo de Gonçalves será cremado em cerimônia restrita à família às 13h.
Leônidas deixa esposa, dois filhos, quatro netos e sete bisnetos.
Em 1985, foi convidado por Tancredo Neves para assumir o Ministério do Exército. Com a morte de Tancredo, o general integrou o governo do presidente José Sarney.
Em nota, Sarney lamentou a morte do ex-ministro, a quem chamou de grande amigo, e disse que o general teve papel fundamental durante a transição da ditadura militar para o regime democrático.
“Ele deu suporte para que a transição fosse feita com as Forças Armadas e não contra as Forças Armadas. Pacificou o Exército e assegurou e garantiu o poder civil. Reconduziu os militares aos seus deveres profissionais, defendendo a implantação do regime democrático que floresceu depois de 1985″, lembrou Sarney.
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