“Fed vai segurar juros até entender Trump”
Pedro Galdi aposta que o Fed ficará mais cauteloso, ao contrário da maioria dos economistas
Por Márcio Juliboni
A eleição de Donald Trump levou a maior parte dos economistas a apostar que o Fed vai acelerar as altas da taxa de juros nos EUA, para se contrapor à política fiscal expansionista do republicano.
Pedro Galdi, analista de investimentos da Upside Investor, contudo, crê no movimento contrário: o banco central americano deve aguardar os primeiros efeitos práticos das políticas implementadas pelo novo governo, para decidir se intensifica sua atuação.
Já em relação ao Brasil, a eleição de Trump e a complicação de Michel Temer na Lava Jato são fatores óbvios de pressão sobre o mercado. Mas, na prática, seus efeitos sobre as projeções de 2017 devem ser pequenas, segundo Galdi. Veja os principais trechos da conversa com O Antagonista:
O Antagonista: Trump eleito nos EUA; um cheque de R$ 1 milhão para Temer; empresas divulgando balanços. O que mais pesou nesta semana no mercado?
Pedro Galdi: Em relação a Trump, é natural que o mercado esteja nervoso. A pergunta é: até que ponto as medidas que ele anunciar vão ajudar a economia global? Além disso, não se sabe, inclusive, se Janet Yellen permanecerá à frente do Fed. Existe um desconforto muito grande entre os dois, muitas diferenças de visão, e ela pode até se desligar da instituição.
O Antagonista: Você acredita que o Fed elevará os juros mais que o previsto, diante da política expansionista de Trump?
Galdi: Não. Acredito que será o inverso. Acho que o Fed adotará uma postura mais cautelosa, enquanto espera as primeiras medidas.
O Antagonista: Quanto Temer pesou no mercado nesta semana?
Galdi: A descoberta do cheque em nome de Temer cria um risco iminente para o presidente. Não há dúvidas de que a Lava Jato vai prosseguir e pegar todos que puder. Mas acredito que ele seguirá até 2018, porque está fazendo um governo de transição e assumiu o “trabalho sujo” de implementar as reformas impopulares que outros não teriam coragem, devido ao desgaste político.
O Antagonista: Com tudo o que ocorreu nesta semana, alguma de suas projeções mudou?
Galdi: A principal foi o dólar. Quem esperava um câmbio de R$ 3,10 para o fim do ano já pode pensar em R$ 3,30, talvez mais. A taxa de juros também pode ser afetada, mas depende muito de como a inflação vai se comportar. O importante é que Trump ganhou e o mercado terá de lidar com isso. O mundo não vai virar ao contrário. É preciso tocar a vida.
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