domingo, 22 de maio de 2016

Comando Militar da Amazônia acompanhará as grandes manobras militares deste sábado na Venezuela

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Tropa do Pelotão de Fronteira de Maturacá (AM)
Por Roberto Lopes
O Comando Militar da Amazônia (CMA) e a Força Aérea Brasileira acompanharão atentamente, neste sábado (21.05), a eventual movimentação de tropas venezuelanas na fronteira com o Brasil, por ocasião das grandes manobras militares anunciadas, em Caracas, pelo presidente Nicolás Maduro.
O monitoramento em terra será feito por meio dos pelotões de fronteira e de destacamentos de patrulha pertencentes à 1ª Brigada de Infantaria de Selva, de Boa Vista, Roraima – que cobre o setor sudeste da divisa da Venezuela com o Brasil –, e à 2ª Brigada de Infantaria de Selva, sediada em São Gabriel da Cachoeira (2ª), no norte do Amazonas – responsável pela segurança do trecho de fronteira mais ao sul do território venezuelano.
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As duas brigadas vêm sendo alvo, no Estado-Maior do Exército, em Brasília, de planejamentos que visam fortalecê-las.
Expansão – Ainda em 2014 o comando da Força Terrestre tomou a decisão de aumentar o poderio da Brigada de Boa Vista.
Assim, quando houver recursos, ela será reforçada com:
– a criação de um Batalhão de Infantaria Mecanizada, habilitado a incorporar as novas viaturas blindadas de transporte de pessoal (e modelos derivados) da chamada “família Guarani”;
– a criação de uma Companhia Anti-Carros (anti-tanque) dotada do canhão sem recuo anti-carro portátil de 84 mm Carl Gustaf, ou do lança-rojão AT-4;
– o aumento de veículos blindados por meio da transformação do atual 12º Esquadrão de Cavalaria Mecanizado (12º Esq C Mec), mobiliado com blindados EE-9 Cascavel e EE-11 Urutu, em Regimento de Cavalaria (de valor batalhão), constituído por dois esquadrões de Cavalaria Mecanizada); e
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Soldados do 12º Esquadrão de Cavalaria Mecanizado em treinamento (à sombra de duas viaturas Cascavel)
– a elevação do atual Posto Médico de Boa Vista à condição de Hospital de Guarnição Militar.
Os planos descritos acima só não foram implementados por falta de verbas.
Dispositivo – Hoje, a estrutura da 1ª Brigada – Brigada Lobo D’Almada – é demasiadamente simples, para uma área de tanta responsabilidade como a das fronteiras do Brasil com a Venezuela e a Guiana.
A unidade enquadra apenas um batalhão de Infantaria de Selva – o 7º BIS –, o 12º Esq C Mec, o 10º Grupo de Artilharia de Campanha de Selva (10º GAC) – com armamento de tubo convencional calibre 105 mm –, o 1º Batalhão Logístico de Selva (1º BLOG), o 6º Batalhão de Engenharia e Construção (6º BEC), o 32º Pelotão de Polícia do Exército, a Companhia de Comando da Brigada, a 6ª Delegacia do Serviço Militar e os Pelotões Especiais de Fronteira em Pacaraima, Uiramutã, Auaris, Surucucu, Bonfim e Normandia, todos subordinados ao 7º BIS.
Os deslocamentos de caráter mais complexo do efetivo da 1ª Brigada contam com o apoio de helicópteros do Batalhão de Aviação do Exército da capital amazonense.
O 4º Pelotão Especial de Fronteira, de Surucucu, está a 400 km, em linha reta, de Boa Vista. Mas para se alcançar essa base militar sobre a fronteira com a Venezuela os militares só têm como recurso as aeronaves que, normalmente, operam a partir da Base Aérea da capital roraimense.
E para atingir Surucucu é preciso sobrevoar nove milhões de hectares de floresta, serras e montanhas.
O Exército mantém em reserva, para atuar no território roraimense, em caso de necessidade, o 1º Batalhão de Infantaria de Selva (Aeromóvel), de Manaus.
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Batalhão de Infantaria de Selva de Manaus, aeromóvel e pronto para ser mobilizado a qualquer hora
Demonstração – Ano passado, sem ter a menor preocupação em avisar o CMA – com o qual mantém mecanismos de intercâmbio de informações e de assistência técnica – ou mesmo as autoridades militares em Brasília, o Exército venezuelano realizou manobras com viaturas lançadoras de foguetes bem perto do território brasileiro – demonstração de força que irritou o Comandante do Exército, general Eduardo Villas-Bôas, e seus oficiais.
A resposta veio algumas semanas depois.
A título de experimentar sua capacidade de mobilização, o Exército providenciou a transferência (por via terrestre e aérea) de um tanque pesado M-60A3 TTS, da guarnição de Mato Grosso do Sul para Roraima, e também o deslocamento de uma viatura lançadora de foguetes Astros 2, recolhida em Goiás e desembarcada em área sob a jurisdição da 1ª Brigada.
Dissuasão – A 2ª Brigada de Infantaria de Selva – Brigada Ararigbóia –, de São Gabriel da Cachoeira, está consideravelmente mais próxima da divisa do Brasil com a Venezuela.
Antiga Brigada de Infantaria Motorizada de Niterói (RJ), sua reclassificação como Brigada de Infantaria de Selva foi uma resposta à necessidade sentida pela Força Terrestre de ampliar a sua capacidade dissuasória na porção noroeste da área de responsabilidade do CMA, mais conhecida como “Cabeça do Cachorro”.
A 16 de janeiro de 2014, a Portaria 028 do Comandante do Exército reorganizou a Brigada, dotando-a do 2º Batalhão Logístico de Selva, também sediado na cidade de São Gabriel da Cachoeira.
Dessa maneira, para guarnecer uma extensa área de 294.507 km² – que abrange os municípios de São Gabriel da Cachoeira, de Santa Isabel do Rio Negro e de Barcelos –, a Brigada Ararigbóia enquadra:
– o 3º Batalhão de Infantaria de Selva – em Barcelos (AM);
– o Comando de Fronteira Rio Negro e 5º Batalhão de Infantaria de Selva – em São Gabriel da Cachoeira;
– o 2º Pelotão de Comunicações de Selva – em São Gabriel da Cachoeira;
– o 22º Pelotão de Polícia do Exército – em São Gabriel da Cachoeira; e agora também
– o 2º Batalhão Logístico de Selva.
Isolamento – Na quarta-feira 4 de março de 2015, o então ministro da Defesa, Jaques Wagner, visitou o 5º Pelotão Especial de Fronteira (PEF), localizado no distrito de Maturacá – distante 150 km de São Gabriel da Cachoeira (AM), um dos que guarnece a fronteira com a Venezuela.
Apesar de não estarem muito distantes, em linha reta, de São Gabriel da Cachoeira, os 66 militares dessa guarnição – que não pode ser atingida por via terrestre – vivem em condição de isolamento, que só é quebrado pela comunicação via rádio e por incursões por barco ou via aérea.
No monte Cucuí, que domina a tríplice fronteira do Brasil com a Venezuela e a Colômbia, foi estabelecido o 4º Pelotão Especial de Fronteira, também dependente da 2ª Brigada de Infantaria de Selva.
O destacamento fica a pouco mais de 30 minutos de voo de São Gabriel da Cachoeira, e, dez anos atrás, foi preciso equipá-lo com grandes holofotes nas margens do rio Negro voltados para a divisa com o território venezuelano.
A localidade é rota do narcotráfico e do contrabando de armas e de animais silvestres, e uma equipe de seis soldados e um sargento permanecem de serviço as 24 horas do dia, fortemente armados.
Contrabandistas e traficantes que conseguem burlar essa vigilância tentam escoar suas mercadorias pela língua de terra parcialmente asfaltada do que era para ser a Rodovia BR-307, Cucuí-São Gabriel da Cachoeira. Trata-se de rota arriscada, sobretudo por passar dentro da reserva Yanomami.
A pista de pouso asfaltada que serve ao pelotão é ruim: esburacada, de sinalização insuficiente e curta – uns 800 metros – que exige perícia até mesmo dos aviões da Aeronáutica. De lá, há mais um quilômetro de caminhada na mata e 30 minutos de “voadeira” pelo rio – não um barco de alumínio, mas um simples bote de madeira equipado com motor a diesel.
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Um bimotor de carga Amazonas (C-295) da Força Aérea Brasileira pousado na pista de Cucuí
Cucuí é uma posição estratégica: do outro lado do Rio Negro está a Venezuela. À frente, a Colômbia.

Plano Brasil

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