14 de agosto de 2026| | Prezadas leitoras, caros leitores — Enquanto o Brasil prestava atenção na chantagem comercial de Donald Trump, a China lançou, no início de junho, seu 15º Plano Quinquenal para Agricultura e Modernização Rural, com o objetivo de reduzir de forma profunda sua vulnerabilidade na produção de alimentos. Ou seja, o parceiro comercial que compra cerca de 30% da produção agropecuária brasileira quer se tornar menos dependente de importações. Na Edição de Sábado, exclusiva para assinantes premium, Caio Mello mostra como o movimento chinês pode representar uma ameaça muito mais séria e de longo prazo à economia brasileira que as tarifas americanas. O que você faz quando a leitura de um romance empaca? Insiste até o fim ou abandona sem culpa? Myrian Clark, produtora do Meio e mediadora de um clube de livros, ouviu leitores, o crítico literário Manuel da Costa Pinto e a professora de literatura da UFRS Márcia Ivana Lima e Silva. Com eles ela explora a disciplina para encarar os clássicos e o direito sagrado de fechar um livro que não flui. Uma reflexão sobre a nossa relação com a estante e o tempo das nossas vidas. E Guilherme Werneck entrevista Luísa Matsushita — a Lovefoxxx do Cansei de Ser Sexy —, que abre neste sábado a exposição Tudo que Eu Sei, Eu Aprendi à Noite, inaugurando o novo espaço para artes visuais no Cultura Artística. Tudo isso na Edição de Sábado, deep information em mundo de deep fakes. Assine! Os editores. |
Brasil inicia processo de reciprocidade contra os EUA Foto: Fabio Teixeira / Anadolu via AFP O governo brasileiro anunciou na noite desta quinta-feira que deu início ao processo para aplicar a Lei da Reciprocidade Econômica contra os Estados Unidos, em resposta ao tarifaço americano. A legislação permite ao Brasil adotar restrições ou tarifas equivalentes às impostas por outro país. Antes de eventual retaliação, o governo pretende realizar consultas diplomáticas para tentar reduzir ou eliminar os efeitos das medidas americanas. Brasília afirma que apresentou ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) argumentos para contestar as acusações de práticas comerciais desleais. (g1) Na avaliação de analistas, a decisão brasileira é política e ocorre devido à falta de canais de negociação. “Nossa situação frente a eles é de muita fragilidade e, se continuar escalando, pode ser muito ruim para a economia e para muitas empresas e pessoas”, avalia Luiz Fernando Figueiredo, ex-diretor do Banco Central e conselheiro da Jubarte Capital. Já para Thiago Aragão, pesquisador sênior do Centro de Estudos Estratégicos Internacionais de Washington e CEO da Arko Advice International, a questão não é mais comercial. “Lula fez uma embalagem com a questão da soberania nacional e vai levar isso até o fim das eleições”, afirma. (Globo) Os Estados Unidos divulgaram um relatório que acusa o Brasil e cerca de 40 países de facilitar o desvio de produtos chineses para burlar tarifas de importação impostas por Washington. O documento classifica o Brasil no grupo de “Nível 2”, formado por países com “integração econômica significativa” com a China. Segundo o relatório, o Brasil atua como uma importante plataforma regional para suposta alteração da origem declarada de mercadorias antes da exportação para os Estados Unidos. (CNN Brasil) Enquanto isso... Empresários brasileiros afirmam ter recebido de diplomatas americanos o alerta de que a crise entre Brasil e Estados Unidos pode se agravar caso o governo Lula continue sem conceder o “agrément” ao indicado de Donald Trump para a embaixada em Brasília, Daniel Perez. Integrantes do Departamento de Estado disseram que a orientação em Washington é ampliar a pressão caso o Brasil não autorize a nomeação do diplomata. (Estadão)  
A quinta-feira foi marcada por polêmicas envolvendo o sistema eletrônico de filiação partidária do Tribunal Superior Eleitoral. A campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) disse não ter conseguido registrar a candidatura dele à Presidência pelo fato de o político aparecer como filiado ao Missão no site do TSE. De acordo com a campanha, Flávio foi filiado “fraudulentamente” ao Missão. Flávio, por sua vez, afirmou ter sido vítima de um complô. (Poder360) Já o candidato do Missão à Presidência da República, Renan Santos, afirmou que a filiação de Flávio Bolsonaro ao partido foi solicitada com o uso do e-mail do próprio parlamentar. Segundo ele, o sistema registrou o envio de oito mensagens de confirmação, das quais quatro teriam sido abertas e uma delas acessada por meio de um link. Renan disse que a equipe de Flávio teve acesso às mensagens. (UOL) O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, determinou o restabelecimento da filiação de Bolsonaro ao PL, anulou o vínculo com o partido Missão e liberou o registro da candidatura. O ministro também determinou a preservação dos registros de acesso ao sistema de filiação partidária e o envio do caso à Polícia Federal. Mais tarde, após identificada uma tentativa de filiar o presidente Lula (PT) ao Democracia Cristã, o TSE tirou do ar seu sistema de filiação online. (g1 e CNN Brasil) E o PL lançou o plano de governo de Flávio Bolsonaro. De acordo com o documento, o candidato do partido pretende fazer uma ampla reforma política e voltou a defender o fim da reeleição para presidente da República. No documento, intitulado Para o Brasil Vencer o Atraso, Flávio afirma que o atual sistema político favorece a perpetuação no poder, o “capitalismo de compadrio” e a baixa representatividade. (CNN Brasil) O candidato do PL ainda propõe limitar os poderes do STF, com medidas como a restrição das decisões monocráticas. Segundo o plano, o STF acumulou competências “sem paralelo” e é preciso devolver à Corte seu papel de tribunal constitucional para restabelecer o equilíbrio entre os Poderes. (Folha) Veja aqui a íntegra do plano de governo de Flávio Bolsonaro. (Meio)  
Intenção de voto 
 
A crise envolvendo a polêmica decisão monocrática do ministro do STF Alexandre de Moraes de investigar um jornalista maranhense e sua fonte de informação chegou ao ponto de fervura com a sinalização do presidente da Corte, Edson Fachin, de que levará a questão ao plenário do Supremo. Em nota, Fachin reconheceu a gravidade da situação, defendeu a liberdade de imprensa e o sigilo da fonte. De acordo com o presidente da Corte, o STF tem um “compromisso irrenunciável” com a Constituição. Fachin destacou que a apuração de eventuais crimes deve recair sobre as condutas investigadas, “jamais sobre a atividade jornalística legítima”. (g1) A decisão de Moraes desagradou parte dos ministros da Corte. Ao menos quatro deles manifestaram, reservadamente, incômodo com a investigação contra um ex-secretário do governo do Maranhão apontado como fonte de um jornalista que publicou reportagens sobre o ministro Flávio Dino. Segundo relatos, um dos magistrados classificou a medida como um precedente inédito e preocupante para a liberdade de imprensa e o jornalismo investigativo. (Estadão) Moraes, por sua vez, dobrou a aposta. De acordo com ele, a família do ministro Flávio Dino foi colocada em “risco real por uma organização criminosa” e afirmou que é preciso diferenciar o jornalismo investigativo de pessoas que, segundo ele, atuam “travestidas de jornalismo” para cometer crimes. (Metrópoles) Principal alvo do inquérito relatado por Alexandre de Moraes, o jornalista maranhense Luís Pablo negou ter cometido irregularidades e afirmou que nunca monitorou integrantes do STF nem seus familiares. Luís Pablo disse que a identificação de sua fonte compromete o exercício da atividade jornalística e que estão tentando destruí-lo profissionalmente. (Folha) Flávio Dino também resolveu se pronunciar. O ministro afirmou que sua condição de magistrado o obriga a suportar “calado agressões e injustiças” e a acompanhar “distorções monumentais” sobre sua atuação. Em publicação nas redes sociais, Dino disse que o cargo o impede de participar de “apaixonados debates públicos”. (Valor)  
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 ViverO ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse nesta quinta-feira que cerca de 800 mil pessoas foram excluídas de sites de apostas por terem aderido ao Desenrola 2.0. Para participar do programa de renegociação, o devedor não pode realizar apostas online por ao menos seis meses. Ao todo, cinco milhões de pessoas já foram excluídas das bets, sendo que 3 milhões saíram por estarem em programas sociais, como BCP e Bolsa Família, 1,2 milhão optaram por se autoexcluírem, além dos 800 mil pelo Desenrola. (g1)  
A chance de o fenômeno El Niño atingir uma intensidade muito forte nos próximos meses aumentou para 95%, segundo previsão atualizada nesta quinta-feira pela Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA, em inglês). Até o início do mês passado, a probabilidade de um El Niño muito forte entre outubro e dezembro era de 81%. Uma nova análise também calcula um fenômeno muito intenso com 90% de chance de ocorrer entre novembro e janeiro no Hemisfério Sul. A nova projeção chega no momento em que o aquecimento das águas do Pacífico Equatorial continua aumentando. (g1)  
Para ler com calma. Um levantamento feito por pesquisadoras das universidades federais de Uberlândia (UFU) e da Bahia (UFBA) revela que o número de associações de médicos católicos no Brasil cresceu dez vezes em 25 anos. O movimento, segundo as autoras, faria parte de uma estratégia institucional da Igreja Católica para disputar o campo da saúde e a bioética do aborto legal no país. Um dos braços operacionais do movimento, a Associação Brasileira de Médicos Católicos afirma, no segundo artigo de seu estatuto, ter o compromisso de “lutar pela defesa da inviolabilidade da vida humana, da concepção à morte natural”. (Folha)  
De peixes protegendo seus filhotes até o impacto humano sobre as águas, o prêmio Fotógrafo Oceânico do Ano divulgou os finalistas da edição de 2026. Os vencedores serão anunciados no próximo mês. (CNN Brasil)  
 Cultura Um bom programa para fazer neste fim de semana no Rio é embarcar no festival pop com quatro concertos da Orquestra Ouro Preto Vale, que rola de graça no Posto 2, em Copacabana, com participações de Samuel Rosa e Alceu Valença. Na Caixa Cultural, tem uma mostra imperdível sobre as obras de Tomie Ohtake e Alice Shintani. Em São Paulo, a Mostra Internacional de Artes Cênicas em Espaços Não Convencionais e Alternativos (Miacena) traz mais de 50 atividades gratuitas em 19 espaços da cidade. E ainda tem uma releitura do álbum Cabeça Dinossauro, dos Titãs, feita por um baita time de músicos no Sesc 14 Bis. Leia todas as sugestões no site do Meio.
 
Durante a ditadura militar, artistas precisaram de muita coragem e criatividade para driblar a censura. Para dar a dimensão dos absurdos que ocorreram naquela época, o escritor e cineasta Miguel de Almeida conta muitas histórias em seu novo livro Chame o Ladrão, que revela algumas das maneiras encontradas por artistas para contornar os censores. Em três anos de pesquisa, Almeida encontrou táticas diferentes, desde criar pseudônimos a alterar títulos e as primeiras palavras de uma música vetada para submetê-la de volta a um outro censor. A ideia do livro é mostrar a resistência dos artistas, para além do “tom muito guerreiro e amargo” atribuído aos relatos de enfrentamento da repressão. (Folha)  
A Paramount+ está produzindo uma nova série de suspense jurídico estrelada por Nicole Kidman e Elle Fanning, com Stephan James e Colton Ryan no elenco. Baseado no conto homônimo de Chandler Baker, Discretion acompanha uma estagiária de verão em um prestigiado escritório de advocacia de Dallas, que descobre uma teia de acordos de confidencialidade que escondem uma verdade obscura. As descobertas a colocam na mira da sócia mais poderosa do escritório. (Variety)  
 Cotidiano DigitalA Shopee lançou no Brasil um novo serviço para realizar entregas em até quatro horas, e a novidade também marca a estreia da plataforma no mercado de alimentos frescos do país. O serviço, batizado de Turbo, começa inicialmente apenas pela região metropolitana de São Paulo, com mais de 4 mil vendedores oferecendo mantimentos, perecíveis, congelados, produtos para animais e roupas. A rede Americanas e a Daki estão entre os parceiros dessa nova operação. Com isso, a Shopee passa a competir diretamente com o Mercado Livre e a Amazon, que inclusive neste ano lançou o Amazon Now prometendo entregas de mantimentos em até 15 minutos. (Folha)  
A startup chinesa DeepSeek lançou o modelo V4 Pro, em uma tentativa de recuperar espaço frente a concorrentes que avançam rápido no mercado chinês de inteligência artificial. O lançamento tem grande expectativa, porque a versão mais barata da empresa, o V4 Flash, chegou a superar a prévia do V4 Pro em testes independentes, o que sugere um salto rápido de qualidade. A DeepSeek também negocia uma nova rodada de captação avaliada em cerca de US$ 74 bilhões, poucas semanas depois de ter levantado US$ 7,4 bilhões em junho, e planeja dobrar o quadro de funcionários e desenvolver um chip próprio para reduzir a dependência de fornecedores como a Nvidia e a Huawei. (Reuters)  
O X ampliou a abertura do código-fonte do algoritmo “Para Você”, incluindo agora os parâmetros usados para classificar publicações. Além disso, a rede social lançou uma ferramenta que permite aos usuários baixar um arquivo com dados sobre como suas contas e postagens foram afetadas pelo sistema. (TechCrunch)  
Meio em vídeo. Como as conversas com o ChatGPT estão evoluindo? Os óculos da Meta AI realmente funcionam? E quais são as limitações da Alexa? No mais novo Pedro+Cora, Pedro Doria e Cora Rónai analisam o estado atual da inteligência artificial no nosso dia a dia, os limites das assistentes virtuais e o que esperar dos novos dispositivos de IA. Vem conferir. (YouTube)  
Dirigindo, se exercitando ou só descansando os olhos de tela? Dá para se informar sem parar o que você está fazendo. No Pé do Ouvido é o podcast que transforma as notícias do dia em áudio. Agora ele também está no YouTube, confira.  
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