21 de Julho de 2016
Nosso objetivo centrão
Ontem, no dia de divulgação da Selic, Michel Temer usou o Twitter para dar o recado:
“O Banco Central tem plena autonomia pra definir a taxa de juros”.
Temer carrega a tocha maldita de Dilma Rousseff, ainda com medo de cair.
Se a mulher de Cesar parecesse bela, recatada e autônoma, o presidente do Brasil não precisaria usar o Twitter para afirmar sua plena autonomia.
Justifica-se quem precisa se justificar.
O que me leva a lembrar da ideia de um Bacen oficialmente independente, garantido por Constituição.
Por mais que eu goste desse formalismo, sou o primeiro a reconhecer: não é prioridade.
Há outros temas - fiscais, trabalhistas, previdenciários - bem mais urgentes dentro da agenda econômica.
Superadas com sucesso tais urgências, porém, gostaria de ver o BC independente na pauta de 2017.
Não por conta da gestão Temer - tudo indica que Ilan Goldfajn será um excepcional comandante para o Bacen, domando o IPCA e cortando juros.
Mas sim como um seguro contra a eterna ameaça de futuras Dilmas num país que teima em flertar com o populismo barato.
Temos que proteger o Banco Central de nós mesmos, pois não somos confiáveis.
Temer tuitou também:
“A política monetária tem como prioridade combater a inflação e esse é o objetivo central de meu governo”.
Valeu a tentativa, mas o objetivo central de um governo brasileiro nunca é - nem será - o de combater a inflação.
Nem mesmo com o Plano Real foi assim.
Não temos objetivos centrais dessa natureza; só temos um objetivo centrão.
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