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Eleições 2026 são marcadas por abstenção recorde
Abstenção ficou em torno de 21%, o equivalente a mais de 33 milhões de pessoas, segundo TSE
Relatório O Valor do Voto foi citado no Relatório Preliminar da Missão de Observação Eleitoral da OEA
O relatório O Valor do Voto, do Pacto pela Democracia, foi citado no Relatório Preliminar da Missão de Observação Eleitoral da Organização de Estados Americanos no Brasil. O estudo, que investigou a desconfiança dos brasileiros em relação ao processo eleitoral e ao sistema eletrônico de votação, também serviu de subsídio para a criação da campanha “Confirma seu Poder”.
A Missão da OEA reconheceu as condições de normalidade, transparência e o êxito do primeiro turno das eleições brasileiras. Ao mesmo tempo, chamou atenção para a circulação de desinformação que busca gerar desconfiança sobre a integridade do sistema eletrônico de votação, justamente um dos fenômenos analisados pelo estudo do Pacto.
O Brasil realizou a primeira etapa de eleições democráticas e seguimos para o segundo turno. Agora, mais do que nunca, é preciso preservar as condições que sustentam a nossa democracia: eleições seguras, íntegras e transparentes, o respeito ao resultado das urnas e o direito de cada pessoa participar da vida política do país.
📖 Relatório O Valor do Voto
📒Relatório Preliminar da Missão de Observação Eleitoral da OEA
Eleições 2026 são marcadas por abstenção recorde
No último domingo (4), o Brasil vivenciou o primeiro turno das eleições gerais de 2026. Em todo o país, eleitoras e eleitores foram às urnas para escolher presidente da República, governadores, dois senadores por estado e deputados federais e estaduais.
A votação foi realizada normalmente por meio das urnas eletrônicas, das 8h às 17h, pelo horário de Brasília. Ao final do dia, 125,2 milhões de pessoas haviam comparecido às urnas no primeiro turno, o equivalente a quase 79% do eleitorado apto. Com o encerramento da votação e a divulgação dos resultados, o processo eleitoral entra em uma nova etapa. Nas disputas em que houver segundo turno, a votação será realizada em 25 de outubro.
“As urnas eletrônicas demonstraram mais uma vez sua agilidade, segurança e confiabilidade. Hoje, os principais riscos à integridade eleitoral estão menos no sistema de votação e mais no ambiente informacional: interferência estrangeira, mediação opaca da informação por plataformas digitais, priorização ou despriorização de determinados grupos e circulação de publicidade política ilícita, inclusive a partir do exterior. É nesse campo que estão algumas das principais ameaças à democracia brasileira; a urna, por sua vez, segue sendo um dos mecanismos mais confiáveis do nosso processo eleitoral.”
Humberto Ribeiro, Diretor do Sleeping Giants Brasil
O dia também foi marcado por um contingente expressivo de pessoas que não votaram. A abstenção ficou em torno de 21%, o equivalente a mais de 33 milhões de pessoas, segundo os dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral. O índice supera o registrado em 2022 e é o maior das últimas décadas. Para quem não compareceu ao primeiro turno, a ausência não impede a participação no segundo: segundo a Justiça Eleitoral, cada turno é considerado uma eleição independente.
“As abstenções eleitorais bateram recorde nestas eleições e cresceram em um ritmo maior do que o próprio aumento do eleitorado. Estamos falando de um contingente de mais de 30 milhões de pessoas que, ano após ano, parece se cristalizar como parte do eleitorado brasileiro. É justamente aí que temos concentrado nosso olhar no Pacto pela Democracia, o que acontece quando a confiança se perde? E como reconstruí-la? Se estas eleições deixam uma mensagem, é que esse não é um desafio que se resolve em uma campanha. Reconstruir a confiança no processo eleitoral e nas instituições é um trabalho de longo prazo e precisa começar agora.”
Helena Salvador, Coordenação de Mobilização e Campanhas.
O índice comparecimento ganha ainda mais significado quando observado à luz da disposição dos brasileiros para participar das eleições. Uma pesquisa realizada pelo Datafolha realizada antes do primeiro turno mostrou que 56% dos brasileiros afirmavam que votariam em 2026 mesmo se o voto não fosse obrigatório, enquanto 43% disseram que não participariam e 1% não soube responder. O percentual foi o maior registrado na série histórica do instituto, iniciada em 1989, indicando que, para mais da metade da população, ir às urnas ultrapassa a obrigação prevista em lei.
A relação dos brasileiros com a política pode ajudar a compreender esse cenário. No levantamento, 74% declaravam algum grau de interesse pelo tema, sendo 23% com grande interesse, 38% com interesse médio e 12% com interesse pequeno. Outros 26% afirmavam não ter nenhum interesse. O primeiro turno das eleições brasileiras aconteceu em um contexto em que a maioria das pessoas reconhece algum interesse pela política, mas onde permanece uma parcela significativa da população afastada do debate público.
Essa informação também foi constatada pelo Pacto pela Democracia. Em um levantamento realizado pela organização com 3.842 participantes por meio da plataforma Swayable, também identificou uma relação positiva dos brasileiros com o voto e com princípios fundamentais do processo democrático. Entre os participantes, 85,5% afirmaram que pretendiam votar, 82,8% disseram acreditar que os resultados eleitorais devem ser respeitados, 81,9% entendiam o voto como um direito e 81,7% consideravam que seu voto poderia mudar a própria realidade.
📘Leia mais: Missões de Observação Eleitoral destacam transparência e organização das Eleições 2026
🎧Ouça: A eleição nas redes sociais e o que muda na disputa como conhecemos
Entenda o que mudou no Congresso Nacional
As eleições de 2026 alteraram a composição da Câmara dos Deputados, com o PL ampliando sua bancada de 98 para 121 parlamentares e consolidando a maior representação da Casa, que tem 513 cadeiras. O partido passa a ocupar 23,6% dos assentos. O PT também cresceu, de 65 para 70 deputados. Na sequência aparecem União Brasil, com 46 deputados, PSD, com 43, e PP e Republicanos, com 41 cada.
O crescimento do PL foi o maior entre os partidos em números absolutos, com 23 cadeiras a mais que na atual legislatura. Outras legendas também ampliaram suas bancadas, como o Novo, que passou de cinco para dez deputados, o PSOL, de 13 para 14, o PV, de seis para sete, e o PRD, de três para cinco.
Entre os partidos que perderam espaço estão União Brasil e PSDB, que tiveram redução de seis cadeiras cada um. O primeiro passou de 52 para 46 deputados, enquanto o PSDB caiu de 17 para 11. Também perderam representantes eleitos os partidos PDT, PSD, PP, MDB, PSB e Republicanos. Podemos manteve os 27 deputados, enquanto o Cidadania, que tinha dois representantes, não elegeu nenhum.
A eleição também registrou votações expressivas individuais. Nikolas Ferreira (PL-MG) foi o deputado federal mais votado do país, com 3.119.318 votos, seguido por Lucas Pavanato (PL-SP), com 3.038.438. Erika Hilton (PSOL-SP) ficou em terceiro, com 1.596.472 votos.
No Senado, o PL foi o partido que mais ampliou sua presença na Casa: elegeu 19 senadores e passará a ocupar 28 das 81 cadeiras, mais de um terço do total. Dos 32 senadores que disputaram a reeleição, 18 não conseguiram permanecer no cargo, uma renovação expressiva na Casa legislativa.
O PT terá a segunda maior bancada, com nove senadores, podendo chegar a dez caso Wellington Dias retorne ao Parlamento após o período em que está licenciado para exercer o cargo de ministro. O MDB passará de nove para oito cadeiras, enquanto União Brasil crescerá de três para seis. O Progressistas também terá seis senadores, seguido pelo Republicanos, com cinco. Entre as demais bancadas, PSB e PSD terão quatro cadeiras cada, Novo terá três, e Podemos e PSDB terão duas cada. PDT e Rede terão um senador cada.
A mudança também altera a composição dos blocos partidários. PSD, MDB, PP, Republicanos e União Brasil, que integram o chamado Centrão, somarão 29 senadores, dez a menos que na composição atual. PL e Novo terão juntos 31 cadeiras, enquanto PT, PSB, PDT e Rede reunirão 16. A nova distribuição modifica a correlação de forças no Legislativo e as negociações que marcarão a próxima legislatura.
A gerente de incidência do Pacto pela Democracia, Natália Neris, comentou sobre o impacto que a nova configuração do Congresso e do aumento expressivo de parlamentares de extrema direita pode ter nos próximos anos:
“O acompanhamento do processo eleitoral nos permite afirmar que a eleição transcorreu de forma regular e que as instituições brasileiras foram capazes de assegurar a integridade da votação. Em relação aos resultados, o crescimento expressivo de forças de extrema direita no Congresso Nacional e nos estados aponta para um cenário de maior complexidade para a agenda de direitos humanos e para a defesa da democracia na próxima legislatura. É um resultado que precisa ser compreendido com atenção e que reforça a importância da articulação entre diferentes setores comprometidos com a democracia”, afirmou.
🎧Ouça: O STF e a crise do STF pós primeiro turno
Senadores estadunidenses questionam Trump sobre tentativas de influenciar as eleições brasileiras
Um grupo de 12 senadores do Partido Democrata dos Estados Unidos questionou o governo de Donald Trump sobre tentativas de influenciar as eleições brasileiras. Os questionamentos foram tema de uma carta enviada na terça-feira (6) ao secretário de Estado estadunidense, Marco Rubio. No documento, os parlamentares citam uma série de medidas adotadas pelo governo Trump e afirmam que elas representam uma tentativa de interferir no processo eleitoral brasileiro.
Entre as ações mencionadas está a revogação do visto da embaixadora do Brasil nos Estados Unidos, Maria Luiza Viotti, em agosto. Para os parlamentares, a medida seria parte de uma escalada nas ações do governo norte-americano para influenciar as eleições.
A carta também cita as tarifas impostas a produtos brasileiros e uma tentativa de viagem de funcionários do Departamento de Estado ao Brasil para reuniões com Flávio Bolsonaro e autoridades eleitorais. Segundo os senadores democratas, o objetivo seria levantar dúvidas sobre a segurança e a confiabilidade das eleições brasileiras. Eles também mencionam contatos de autoridades norte-americanas com o ex-presidente Jair Bolsonaro e sanções impostas ao ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes.
Os parlamentares fizeram sete perguntas a Marco Rubio sobre o objetivo da postura hostil do governo americano com o Brasil. Também questionam por qual motivo autoridades norte-americanas passaram a examinar o sistema eleitoral brasileiro durante uma campanha presidencial e quais evidências o governo dos EUA teria de que as eleições brasileiras poderiam não ser livres e justas.
“A revogação do visto da Embaixadora Ribeiro Viotti é apenas a mais recente escalada do esforço contínuo da Administração Trump para influenciar os resultados das eleições brasileiras de 2026”, afirma um trecho da carta enviada pelos senadores do Partido Democrata.
“Desde autoridades do seu Departamento [de Estado] viajando para se reunir com o ex-presidente Bolsonaro — condenado por sua violenta tentativa de golpe para subverter a vontade do povo brasileiro em 2022 — até a imposição de sanções ao Ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, numa tentativa de proteger o ex-presidente Bolsonaro de processos judiciais, passando pelo questionamento da credibilidade de eleições livres e justas no Brasil, a administração Trump tem buscado repetidamente influenciar os assuntos políticos internos do país de maneiras que ameaça as instituições democráticas e os processos eleitorais brasileiros”, diz o documento.
Os senadores pediram que o Departamento de Estado responda até 20 de outubro, antes do segundo turno das eleições brasileiras. O documento foi assinado por Sydney Kamlager Dove, Gregory W. Meeks, James P. McGovern, Pramila Jayapal, Nydia M. Velázquez, Jonathan L. Jackson, Sylvia R. Garcia, Dina Titus, Yvette D. Clarke, Mike Quigley, Jasmine Crockett e Madeleine Dean.
O presidente Trump comentou pouco sobre o resultado do primeiro turno do Brasil. Em um post nas redes sociais publicado na segunda-feira (5), ele confundiu o Brasil com a Índia ao citar a eleição presidencial brasileira. A publicação, que foi corrigida posteriormente, elogiava a rapidez da apuração no pleito brasileiro e não mencionou nenhum dos candidatos que foram para o segundo turno. O foco do texto escrito por Trump era criticar duramente a lentidão das eleições estadunidenses, ignorando as muitas discrepâncias e diferenças entre ambos os processos eleitorais.
Para Sami Sternberg, Coordenador de Articulação Internacional, a repercussão internacional dos resultados do primeiro turno das eleições brasileiras foi marcada pela ampla polarização que conduz o debate democrático atual.
“Lideranças da extrema direita em países como Argentina, Colômbia, Estados Unidos e Israel saudaram o desempenho positivo do candidato Flávio Bolsonaro. Por outro lado, os resultados eleitorais foram recebidos por surpresa e preocupação por campos historicamente associados ao presidente Lula, do Partido dos Trabalhadores, que busca sua reeleição. Merece destaque, ainda, o amplo papel dos discursos de desinformação e ataque à democracia que foram disseminados em redes sociais como o X sem a devida moderação das plataformas.
As eleições brasileiras foram marcadas por sérios episódios de interferência estrangeira ao redor do último ano. Para o segundo turno, o grau de vigilância deve ser ainda maior, dada a expectativa de forte envolvimento de atores estrangeiros nas nossas eleições, não apenas na propagação de endossos a uma candidatura, mas na operação de uma verdadeira máquina de desinformação que pode impactar drasticamente no debate que nosso país merece fazer de maneira independente sobre quais serão os rumos do país”, afirma Sternberg.
Fórum Virtual MROSC São Paulo será lançado em 21 de outubro
No dia 21 de outubro, às 10h, acontece o lançamento on-line do Fórum Virtual MROSC São Paulo. O encontro reunirá organizações da sociedade civil para construir uma agenda conjunta de incidência pelo fortalecimento do Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Civil (Lei nº 13.019/2014), que estabelece regras para parcerias entre organizações e a administração pública.
A iniciativa é realizada pela Casa de Bambas, organizada pela Rede Brasileira de Conselhos (RBdC) e integra a articulação da Plataforma MROSC. O link de acesso será enviado por e-mail na véspera do encontro.
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Instituto DX analisa mobilização estudantil após o primeiro turno
O Instituto DX publicou um relatório sobre as manifestações estudantis iniciadas em 5 de outubro na Universidade Federal Fluminense (UFF), contrárias à candidatura de Flávio Bolsonaro e favoráveis à candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo a publicação, a mobilização se estendeu a universidades e escolas de diferentes estados após o primeiro turno das Eleições 2026.
O levantamento acompanha a repercussão dos atos nas redes sociais, a articulação de entidades estudantis e a amplificação das manifestações por figuras políticas, artistas e perfis de mídia. A análise reúne informações sobre a circulação digital e a organização das mobilizações.
🔎Acesse o relatório do Instituto DX
Bonde apresenta iniciativa de mobilização de eleitores para o segundo turno
O Bonde lançou a iniciativa Triplique Seu Voto, que propõe mobilizar eleitores para o segundo turno das Eleições 2026, marcado para 25 de outubro. A ação parte do dado de que mais de 33 milhões de brasileiros não compareceram às urnas no primeiro turno e apresenta uma estratégia de mobilização baseada em contatos pessoais e no compartilhamento de informações sobre a votação.
Por meio da plataforma, os participantes podem receber diariamente orientações, dicas e conteúdos para incentivar o comparecimento às urnas. Segundo a organização, a estratégia já foi utilizada em outros processos eleitorais, incluindo as eleições brasileiras de 2022.
🗳️Conheça a iniciativa Triplique Seu Voto







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