sexta-feira, 13 de março de 2026

Irã diz que manterá Ormuz fechado; Brasil tenta blindar preço do diesel

 

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13 de março de 2026
 

Prezadas leitoras, caros leitores —

Esqueçam os drones, os mísseis balísticos, os lançadores de foguetes. A maior arma do Irã na guerra que completa duas semanas neste sábado é a capacidade — ainda inabalável — de bloquear o mais importante corredor de transporte de petróleo do mundo. Ormuz, um estreito de apenas 50 km, está praticamente fechado desde o início da guerra, e essa estratégia iraniana afeta a economia de todo o planeta, mostrando como ainda estamos longe, muito longe, de abandonar a dependência dos combustíveis fósseis.

Na Edição de Sábado, exclusiva para assinantes premium, Yan Boechat detalha a importância desse gargalo no Golfo Pérsico e como o regime dos aiatolás o usa para colocar na defensiva um adversário muito mais poderoso, os Estados Unidos.

E mais. No fim de semana do Oscar, com “O Agente Secreto” correndo atrás de quatro estatuetas, Leonardo Pimentel explica por que o careca dourado ainda é o mais cobiçado prêmio do cinema mundial, embora frequentemente não seja um selo de qualidade. E Guilherme Werneck entrevista o roteirista e diretor de cinema e teatro Rafael Gomes, em cartaz em São Paulo com “Hamlet: Sonhos que Virão”, trazendo Gabriel Leone, o matador do citado “Agente Secreto”, no papel do príncipe da Dinamarca.

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Os editores.

Irã diz que manterá Ormuz fechado; Brasil tenta blindar preço do diesel

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Foto: Stringer / Anadolu via AFP

Em sua primeira declaração oficial, o novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, afirmou que o Estreito de Ormuz permanecerá fechado como “instrumento de pressão”. A mensagem foi lida por um apresentador na televisão estatal iraniana, pois a localização de Khamenei segue desconhecida. O líder também advertiu que todas as bases americanas na região precisam ser fechadas ou serão atacadas. E a Guarda Revolucionária Iraniana (IRGC) ameaçou colocar “fogo” em toda a infraestrutura de petróleo e gás da região caso portos e instalações energéticas iranianas sejam atacados. Ormuz — passagem estratégica para o comércio global de energia — já vem sendo alvo de mísseis e drones iranianos contra navios de carga internacionais. (CNN)

Poucas horas depois, o embaixador do Irã na ONU, Amir Saeid Iravani, declarou: “Não vamos fechar o Estreito de Ormuz, mas é nosso direito intrínseco preservar a paz e a segurança nesta via navegável”. Já o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baghaei, afirmou que navios seguem autorizados a cruzar a rota, desde que mantenham coordenação com a Marinha iraniana. (Exame)

O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, disse que o “caminho único” para a paz depende de três condições: o reconhecimento dos “direitos legítimos” do Irã, o pagamento de reparações por danos provocados por ataques dos EUA e de Israel, e a criação de garantias internacionais contra novas agressões. (g1)

Enquanto isso, o clima de tensão internacional voltou a se refletir em solo americano. Ao abrir um evento na Casa Branca, o presidente Donald Trump lamentou o ataque contra a sinagoga Temple Israel, na região de Detroit. Segundo a polícia, o suspeito avançou com o próprio carro contra o prédio do templo, entrou armado e abriu fogo. Ele morreu após troca de tiros com seguranças. Trump também comentou o conflito com o Irã e disse que as operações militares americanas estão indo “muito bem”. (CBN)

A reação do mercado às ameaças sobre o Estreito de Ormuz foi imediata. O preço do barril de petróleo tipo Brent disparou mais de 9%, encerrando o dia acima dos US$ 100, acima dos três dígitos pela primeira vez desde agosto de 2022. O WTI, referência americana, subiu 9,7%, fechando a US$ 95,73. Em reação à alta dos preços, o governo Trump autorizou temporariamente países a comprarem petróleo da Rússia. (Financial Times)

No Brasil, para tentar blindar o preço do diesel, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) detalhou um plano que consiste em zerar o PIS e a Cofins sobre o combustível e oferecer uma subvenção a produtores e importadores, mirando uma redução de R$ 0,64 por litro. Para viabilizar a medida sem ferir o orçamento, o ministro Fernando Haddad instituiu um imposto de exportação de 12% sobre o petróleo bruto, estimando que a arrecadação compense os R$ 30 bilhões de custo total do pacote, divididos entre a renúncia fiscal e o subsídio direto. (g1 e InfoMoney)

A decisão do governo veio depois de o Palácio do Planalto ser informado sobre o risco de paralisações de caminhoneiros em todo o país. Há preocupação de que o cenário atual possa ser usado para a prática de preços abusivos e que isso leve a greve em pleno ano eleitoral. Entidades de caminhoneiros autônomos negam a convocação de uma greve. (Folha e UOL)

O setor de combustíveis recebeu com ceticismo o pacote, classificando o desconto de R$ 0,64 no diesel como insuficiente. Enquanto a defasagem entre o preço da Petrobras e a cotação internacional já ultrapassa R$ 1,60 por litro, importadores alertam que o subsídio federal não cobre o prejuízo das empresas privadas, o que coloca em risco o abastecimento, já que o país importa cerca de 25% do que consome. Além disso, lideranças dos caminhoneiros pressionam pela inclusão dos governadores no debate para reduzir também o ICMS estadual, que hoje pesa R$ 1,17 no preço final. (Folha)

Lu Aiko Otta: “Em 2018, o então presidente Michel Temer zerou o PIS/Cofins sobre diesel para acabar com a greve dos caminhoneiros que paralisou o país. (...) O impacto do diesel sobre os preços nos supermercados foi a justificativa de Jair Bolsonaro para novamente zerar as alíquotas do PIS e Cofins sobre o diesel, em 2021. (...) Agora, o que levou o governo a agir foi o barril de petróleo cotado nas proximidades dos US$ 100,00 e a perspectiva de o conflito no Oriente Médio se alongar. Se as medidas vão render dividendos eleitorais, é incerto. Mas a falta delas certamente traria desgaste para o governo”. (Valor)

Celso Ming: “A principal motivação do governo para fazer o que fez é eleitoral. Quer aparecer como quem impôs mão de ferro sobre os que não fazem diretamente o jogo do consumidor. O risco é o de que essa intervenção dê com os burros n’água, até mesmo em relação ao que o governo pretende eleitoralmente”. (Estadão)

 

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin rejeitou o pedido do deputado Rodrigo Rollemberg (PSB) para forçar a instalação da CPI do Banco Master na Câmara. A comissão mira supostas fraudes na relação entre a instituição e o Banco de Brasília (BRB). Zanin apontou falhas processuais na ação, argumentando que não houve comprovação de “omissão” por parte do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos). Com a decisão, a bola volta para o Legislativo: caberá a Motta avaliar os requisitos formais e ditar os próximos passos do pedido de investigação, sem interferência imediata do Supremo. (Jota)

Temendo uma delação de Vorcaro, políticos do Centrão pressionam o STF por uma saída alternativa, como a prisão domiciliar. Como conta Malu Gaspar, a expectativa é de que Luiz Fux acompanhe o relator André Mendonça e mantenha a prisão do banqueiro, enquanto Gilmar Mendes e Nunes Marques tendem a domiciliar. Como Dias Toffoli não vai votar, um eventual empate beneficia o réu. (Globo)

Merval Pereira: “Se a Segunda Turma liberar Vorcaro vai aumentar ainda mais a certeza de que o STF está ligado nesta tramoia que ele montou”. (Globo)

E o desgaste do STF após o escândalo do Banco Master refletiu-se na pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quinta-feira. A parcela de brasileiros que não confia na Corte chegou a 49%, superando pela primeira vez os que dizem confiar (43%), embora 51% ainda reconheçam que o STF foi importante para manter a democracia no país. E 66% dos eleitores dizem ser importante votar em senadores comprometidos com o impeachment de ministros do STF. (Estadão e g1)

Em outra frente, o ministro Alexandre de Moraes recuou de uma decisão anterior e negou o pedido para que Darren Beattie, assessor sênior de Donald Trump, visitasse o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na prisão. A mudança de entendimento ocorreu após o Itamaraty afirmar que o encontro “em ano eleitoral pode configurar indevida ingerência nos assuntos internos” do Brasil. (g1)

Depois de Moraes autorizar mandados de busca e apreensão contra o jornalista Luís Pablo Conceição Almeida, do blog Luis Pablo, o STF afirmou, em nota, que a investigação não tem relação com crimes contra a honra ou liberdade de expressão, mas com suspeitas de monitoramento ilegal da segurança do ministro Flávio Dino. Segundo a Corte, foram divulgadas informações sensíveis sobre os deslocamentos de Dino em São Luís, como placas de veículos e detalhes da equipe de segurança. As reportagens do blog diziam que Dino e seus familiares estariam usando um carro do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJ-MA) em viagens na capital maranhense. A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) repudiou a ordem e disse que a medida “coloca não apenas o repórter sob risco, mas todos os jornalistas brasileiros”. (Valor)

 

“... e a torcida do Centrão delira!”

Marcelo Martinez

 

A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) tenta atrair o PSD oferecendo a vaga de vice e um superministério ao governador do Paraná, Ratinho Jr. A proposta foi levada pelo senador Rogério Marinho (PL). O governador, porém, mantém seu projeto presidencial e diz que um eventual rompimento pelo PL da aliança no âmbito estadual pode minar o engajamento de seu grupo em um eventual segundo turno. (Globo)

Já a ministra do Planejamento, Simone Tebet (MDB), confirmou que será candidata ao Senado por São Paulo. A decisão atende a um pedido do presidente Lula. O movimento reflete o capital político de Tebet no estado, onde conquistou mais de um terço de seus votos na última corrida presidencial. (CNN Brasil)

Meio em vídeo. E no Conversas com o Meio especial das eleições 2026, Pedro Doria entrevista o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, um dos postulantes pelo PSD. Assista hoje, às 17h, no canal do Meio. (YouTube)

 

Se você já cansou da política como torcida, o Meio foi feito para você. O Pacote Eleições 2026 reúne análises do Meio Político, reportagens da Edição de Sábado, bastidores de Brasília e acesso ao streaming com séries e documentários originais. Tudo pensado para quem quer entender o que está acontecendo, não torcer por um lado. Assine o Meio Premium.

 

Viver

A Corte Constitucional da Itália rejeitou o recurso que alegava inconstitucionalidade na lei que restringe a concessão de cidadania italiana, sancionada no ano passado. A legislação aprovada pelo Parlamento limita o direito apenas a filhos e netos de cidadãos italianos que moravam no país ou que tinham cidadania antes de morrer. Até então, a lei permitia que qualquer geração solicitasse a cidadania, desde que comprovasse sua ascendência. A decisão afeta diretamente os brasileiros, um dos grupos que mais fazem esse tipo de pedido. (UOL)

 

Por unanimidade, a 2ª Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que planos de saúde não podem limitar o número de sessões para tratamento de pacientes com transtorno do espectro autista. Os magistrados entenderam que a limitação de sessões de psicologia, fonoaudiologia, fisioterapia e terapia ocupacional é considerada abusiva. A Corte analisava um caso julgado no Tribunal de Justiça de São Paulo, que limitou a 18 sessões anuais o tratamento de um paciente com autismo. (Estadão)

 

Cultura


A programação cultural deste fim de semana vai ser bem voltada ao Oscar, que anuncia seus vencedores no domingo. E vai ter muitas opções para quem quer assistir à cerimônia se divertindo em São Paulo e no Rio. Na capital paulista, quem dá a largada é a Casa de Francisca, celebrando o cinema pernambucano com exibição de curtas e muito frevo. A festa também vai rolar em outras casas, como Cineclube Cortina, Belas Artes e CCSP. No Rio, a celebração vai do Cine Botequim 2, no Maracanã, ao Surreal, em Botafogo, mas para quem não quer saber de Hollywood, também tem Móveis Coloniais de Acaju no Circo Voador, com abertura do Mombojó. Leia todas as sugestões no site do Meio.

 

O Prêmio Pritzker de Arquitetura de 2026 foi concedido ao arquiteto chileno Smiljan Radic Clarke. Formado pela PUC do Chile e com estudos de estética em Veneza, Radic desenvolveu uma linguagem marcada pela tensão entre peso e fragilidade — influenciada pela geografia extrema do Chile, entre a cordilheira dos Andes e a instabilidade sísmica do território. Sua obra recorre a materiais como granito bruto, resina e fibra de vidro. Em parceria com a escultora Marcela Correa, frequentemente incorpora rochas de pedreira diretamente à estrutura dos edifícios. O resultado são espaços que remetem a abrigos ou cavernas. (Archdaily)

 

Cotidiano Digital

O Banco do Brasil realizou a primeira transação de comércio agêntico no país, permitindo que um agente de inteligência artificial efetuasse uma compra de forma autônoma em nome de um consumidor. O procedimento ocorreu em um ambiente de produção controlado por meio da plataforma Visa Intelligent Commerce. Com o sistema, o usuário concede uma autorização prévia para que a IA processe pagamentos específicos, como a reserva de passagens aéreas dentro de uma faixa de preço estipulada. (Estadão)

 

A Disney+ lançou o Verts, um feed de vídeos verticais inspirado no TikTok, para facilitar a descoberta de filmes e séries em seu aplicativo móvel. Testado previamente na ESPN, o recurso utiliza algoritmos personalizados e deve evoluir para incluir conteúdos de criadores e novas interações. (TechCrunch)

 

Meio em vídeo. No Pedro+Cora, os jornalistas Pedro Doria e Cora Rónai falam sobre a coluna de Martha Batalha que produziu um texto dentro do jornal O Globo afirmando que suas crônicas são autorais e não possuem uso de inteligência artificial. No papo, comentam a polêmica de canais de jornalismo utilizarem IA e ghostwriters dentro de suas redações. (YouTube)

 

Como detectar conteúdos falsos ou manipulados por IA? O curso Golpes, deepfakes e IA: como se proteger na era da desinformação explora as principais técnicas usadas para distorcer textos, imagens, vídeos e áudios — e ensina a reconhecer padrões recorrentes de manipulação informacional. Em ano eleitoral, saber identificar o que é real se torna ainda mais urgente. Ainda dá tempo de se inscrever e compartilhar com amigos e família.

 

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