segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Congresso oferece dosimetria para evitar CPI do Master

 

Canal Meio LogoConvideAssine Premium
23 de fevereiro de 2026

Congresso oferece dosimetria para evitar CPI do Master

featured image

Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

O temor do estrago que as investigações das fraudes do Banco Master podem provocar no meio político faz o Legislativo se blindar. A cúpula do Congresso quer evitar a criação de uma CPI, defendida pela oposição bolsonarista, para investigar o banco e suas ligações com autoridades. Em troca, oferece derrubar em março o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao PL da dosimetria, que reduz as penas dos condenados pela tentativa de golpe de Estado em 2022, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro. Mesmo o Planalto já identificou que o escândalo do Master tem potencial negativo para o governo por criar no eleitorado uma ideia de corrupção generalizada. Lula, que vinha ressaltando a ação contra banqueiros, foi aconselhado a tocar menos no assunto. (Folha)

Por trás do alvoroço na classe política, segundo Malu Gaspar, está a percepção de que o novo relator do Caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, além de fortalecer a ação da Polícia Federal, dá fôlego à CPMI do INSS, foco de desgaste do governo, e fragiliza políticos do Centrão, em particular o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Daniel Vorcaro, dono do Master, deveria depor hoje à CPMI, mas não comparecerá, amparado por uma liminar de Mendonça. (Globo)

O ministro, aliás, convocou para hoje uma reunião com delegados da PF responsáveis pelas investigações. Na pauta estão as informações já apresentadas pela PF e os próximos passos do caso. Segundo agentes, ainda falta ser feita perícia em 100 telefones celulares apreendidos. Na semana passada, Mendonça liberou à PF o acesso a todo o material do caso, derrubando as restrições impostas pelo ministro Dias Toffoli, antigo relator da ação. (Estadão)

Enquanto isso, o presidente do STF, Edson Fachin, arquivou o relatório da PF que apontava conexões entre Vorcaro e Toffoli. Mesmo com a relatoria tendo passado para Mendonça, Toffoli ainda poderia ser considerado impedido, mas, com a decisão de Fachin, poderá votar normalmente nos processos envolvendo o Master. (CNN Brasil)

Para ler com calma: Lula deu carta branca à PF para investigar Dias Toffoli, afirma Vera Rosa, o que aumentou dentro do Executivo o prestígio do diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues. (Estadão)

 

Caça-vazamentos

Spacca

 

Apesar de o pré-candidato do partido às eleições presidenciais, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), aparecer bem em todas as pesquisas, o clima entre a cúpula do PL e a família Bolsonaro é tenso. O presidente da legenda, Valdemar Costa Neto, ficou irritado com a informação do vereador Carlos Bolsonaro (RJ) de que o pai dele estava preparando uma lista com os candidatos que deseja nas disputas estaduais. “Todos no partido têm o direito de sugerir, indicar nomes para qualquer posição”, disse Costa Neto. Já Carlos afirmou que o PL “está organizado” para atacar os filhos do ex-presidente, citando um vídeo em que o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) ironiza o ex-colega Eduardo Bolsonaro. (Metrópoles)

 

Meio em vídeo. “A eleição presidencial deste ano parece uma competição para ver quem erra mais, e o presidente Lula parece estar pedindo diariamente para perder.” A dura avaliação é de um dos mais experientes políticos do Brasil, o ex-senador Romero Jucá (MDB), que atuou como líder no Congresso para quatro presidentes, incluindo o próprio Lula. Em entrevista exclusiva ao Meio, ele classifica o momento atual da política brasileira como “inacreditável”. Assista a um trecho da conversa, cuja íntegra está disponível na Edição de Sábado, exclusiva para assinantes premium. (YouTube)

 

Brasil e China, justamente dois dos países mais afetados pelo tarifaço de Donald Trump em abril do ano passado, serão os grandes beneficiários da nova política tarifária global do presidente americano. Na sexta-feira, após a Suprema Corte dos EUA vetar o uso de uma lei emergencial para impor taxação de importados, Trump anunciou que adotaria uma tarifa global de 10%, elevada para 15% no dia seguinte, usando outros mecanismos legais. Segundo Global Trade Alert, organização independente que monitora políticas de comércio internacional, as tarifas sobre produtos brasileiros terão uma redução média de 13,6 pontos percentuais, enquanto os chineses pagarão 7,1 pontos a menos. O vice-presidente brasileiro e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, comemorou a mudança. Segundo ele, como a taxação atinge todos os parceiros comerciais dos EUA, os produtos brasileiros não perdem competitividade. (g1)

Trump ficou profundamente irritado com a decisão da Suprema Corte, que por 6 votos a 3, considerou indevido o uso de uma lei emergencial de 1970 para impor as tarifas. Embora a decisão fosse esperada por agentes do mercado, o governo tinha a expectativa de que, como vem acontecendo com frequência, a maioria conservadora do tribunal se curvaria à vontade do presidente. Porém, três dos seis conservadores, incluindo dois indicados por Trump em seu primeiro mandato, se aliaram aos três progressistas. Em sua rede Truth Social, o presidente parabenizou os outros três juízes vencidos e disse ter “vergonha de certos membros da corte, que não tiveram a coragem de fazer o certo pelo país”. (New York Times)

E um homem armado foi morto a tiros ao entrar na área restrita de Mar-a-Lago, o resort na Flórida onde vive Donald Trump, que estava em Washington no momento do incidente. Embora a polícia não tenha divulgado oficialmente a identidade do invasor, ele seria, segundo parentes, Austin Tucker Martin, de 21 anos. No momento da invasão, Martin portava uma carabina e uma bomba de fumaça. (AP)

 

O ano já começou acelerado, com alianças se formando, discursos se ajustando, narrativas disputando espaço. E acompanhar só as manchetes não vai ser suficiente. O Pacote Eleições 2026 do Meio Premium foi pensado para isso: análises exclusivas nas newsletters especiais, bastidores de Brasília, a Pesquisa Meio/Ideia em primeira mão e produções no streaming para entender o cenário com profundidade. Se o ano político já engrenou, vale se aprofundar. Dê o próximo passo e assine o Meio Premium.

 

Viver

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) abriu uma investigação para apurar a decisão do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) que absolveu um homem de 35 anos pelo estupro de uma menina de 12 anos. Sob relatoria do desembargador Magid Nauef Láuar, a 9ª Câmara Criminal alegou “vínculo afetivo consensual” e “anuência familiar” para derrubar uma condenação de nove anos, ignorando a vulnerabilidade absoluta prevista no Código Penal e chancelada em súmula do Superior Tribunal de Justiça (STJ). O corregedor nacional de Justiça, Mauro Campbell Marques, deu cinco dias para que o tribunal e o magistrado prestem esclarecimentos sobre a sentença, que gerou forte repúdio de juristas e políticos. Enquanto isso, o Ministério Público (MP) mineiro prepara recurso para reverter a decisão. (Globo)

 

Em uma final emocionante no Rio Open, os tenistas Marcelo Melo e João Fonseca conquistaram o título de duplas ao vencerem o alemão Constantin Frantzen e o holandês Robin Haase por 2 sets a 1, diante da torcida na Quadra Guga Kuerten. Aos 42 anos, Melo se emocionou ao exaltar o parceiro de 19, destacando sua “mentalidade de campeão” e dizendo que “muita gente pega no pé dele, mas é um cara especial”. Foi o primeiro título de Fonseca nas duplas. (ge)

 

A Nasa escolheu o dia 6 de março para tentar novamente o lançamento da Missão Artemis 2, que deve fazer um voo tripulado à órbita lunar, sem pousar no satélite. A missão estava programada para 8 de fevereiro, mas a agência espacial detectou vazamento de hidrogênio líquido durante os testes, o que motivou o adiamento. Em uma nova rodada de testes, a Nasa disse ter concluído com sucesso o abastecimento do foguete SLS. O projeto marcará a volta de humanos à Lua pela primeira vez em cinco décadas. A última missão tripulada à órbita do satélite foi em 1972, na Apollo 17. (UOL)

 

Cultura

O cinema brasileiro segue colecionando prêmios, agora no Festival de Berlim. Feito Pipa, dirigido por Allan Deberton e estrelado por Lázaro Ramos, conquistou o Grand Prix do Júri Internacional de melhor filme da mostra Generation Kplus e o Crystal Bear, concedido pelo Júri Jovem. Aplaudido de pé, o longa acompanha Gugu (Yuri Gomes), um menino de quase 12 anos criado pela avó Dilma (Teca Pereira) no sertão cearense, em uma história que combina afeto, identidade e amadurecimento, atravessada ainda pela relação difícil com o pai (Lázaro Ramos). Ao justificar a premiação, o júri destacou a narrativa “vibrante”, o protagonista “multifacetado” e o equilíbrio entre humor e emoção ao tratar de questões existenciais. (Globo)

Vitória para uns, derrota para outros. O Agente Secreto saiu de mãos vazias do Bafta, principal prêmio do cinema britânico e um dos termômetros do Oscar. O longa concorria em roteiro original e filme em língua não inglesa, este vencido pelo norueguês Valor Sentimental. (UOL)

 

O cantor Djavan volta a atuar em uma novela da TV Globo 52 anos após sua última participação. O ícone da MPB vai interpretar a si mesmo na reta final de Êta Mundo Melhor, novela das seis escrita por Mauro Wilson a partir da criação de Walcyr Carrasco, que termina no mês que vem. Na trama, Djavan recebe um convite de Lourival (Sérgio Malheiros) para gravar uma música com Dita (Jeniffer Nascimento) para o disco da cantora. A última vez que o artista alagoano atuou em uma novela foi em 1974, quando fez uma participação especial em Corrida do Ouro, na mesma emissora, cantando Maracatu Atômico ao lado da atriz Sandra Bréa. (Folha)

 

Após estrear no cinema internacional com a comédia Anaconda ao lado de Jack Black e Paul Rudd, o ator Selton Mello segue em Paris para seu novo projeto I Don't Even Know Who I Was, de João Paulo Miranda Maria. O longa é realizado pela produtora francesa Les Valseurs, vencedora da mostra Un Certain Regard do Festival de Cannes com O Olhar Misterioso do Flamingo. Selton tem um desafio adicional, de trabalhar no filme, que será falado em quatro idiomas. O ator, que se destacou mundialmente com Ainda Estou Aqui, de Walter Salles, também filmou recentemente sua estreia em espanhol, no aguardado longa La Perra, da diretora chilena Dominga Sotomayor. (Globo)

 

Cotidiano Digital

Segue a guerra do streaming. A Netflix ofereceu US$ 82,7 bilhões pelos estúdios e pelo negócio de streaming da Warner Bros, mas pode até aumentar a proposta caso a Paramount também melhore sua oferta rival. A Paramount ofereceu US$ 108,4 bilhões por toda a empresa, incluindo ativos como CNN e HGTV, e recebeu prazo até o início da semana para apresentar uma oferta considerada final. O conselho da Warner rejeitou a proposta mais recente da Paramount, mas manteve aberta a possibilidade de negociação, enquanto segue recomendando o acordo com a Netflix. (Reuters)

 

A OpenAI estaria desenvolvendo uma linha própria de dispositivos físicos com inteligência artificial e deve estrear com um alto-falante equipado com câmera, dizem fontes. O aparelho, previsto para 2027, pode custar entre US$ 200 e US$ 300 e terá capacidade de captar informações sobre o usuário e o ambiente ao redor. A empresa também trabalha em óculos inteligentes, ainda sem previsão de produção em larga escala antes de 2028, além de outros formatos. O movimento ocorre após a aquisição da startup io Products, do ex-designer-chefe da Apple Jony Ive, por US$ 6,5 bilhões, e deve marcar a entrada mais direta da criadora do ChatGPT no mercado de hardware. (The Information)

Falando em OpenAI, a companhia informou que 80% dos usuários do ChatGPT na Índia têm menos de 30 anos e que quase metade das mensagens enviadas no país parte da faixa entre 18 e 24 anos. Segundo a empresa, 35% das interações estão ligadas a tarefas profissionais, proporção superior à média global. A ferramenta de programação Codex é usada três vezes mais na Índia do que no restante do mundo, e as perguntas sobre código também superam a média internacional. A Índia já é o segundo maior mercado da companhia, com mais de 100 milhões de usuários semanais. (TechCrunch)

 

Em paralelo à Neuralink, que se vende como pioneira das interfaces cérebro-computador (BCIs), a China já move sua indústria da pesquisa para a produção em escala comercial. Uma onda de startups avança impulsionada por um roteiro nacional que mira padronização e cadeia de suprimentos completa até 2030. Com forte apoio estatal, incluindo um fundo de 11,6 bilhões de yuans (cerca de R$ 8 bilhões) e custos de pesquisa mais baixos, o país já soma dezenas de ensaios e testes, como um implante sem fio que permitiu a um paciente paralisado controlar dispositivos sem ferramentas externas. Por ora, o foco segue médico, mas a aposta é de crescimento acelerado e, no longo prazo, de integração mais profunda entre cérebro e a inteligência artificial. (TechCrunch)

 

Romero Jucá foi líder no Congresso nos governos FHC, Lula, Dilma e Temer. Viveu a Lava Jato por dentro. Virou símbolo de uma das frases mais marcantes da crise política recente. Na Edição de Sábado, Flávia Tavares e Giullia Chechia entrevistam Jucá sobre o cenário de 2026, o embate entre esquerda e direita, o papel dos Poderes e o lugar do MDB na próxima eleição. Uma leitura para entender como Brasília pensa quando o jogo começa a se mover. A entrevista também está disponível na íntegra, em vídeo, em nossa plataforma de streaming.

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário